domingo, 30 de dezembro de 2007

PARABÈNS A TODOS E À VIDA!

O Blog das "Estorias" está de Parabéns. Faz hoje um ano que nasceu. Aproveitamos para relembrar a ocasião, todavia, com alguma sobriedade sem grandes festas. Mas muito felizes porque comemorar este nosso Blogue é comemorar a Vida e a Alegria de estar juntos. Daí ser uma boa altura para repetir que:

O "Estórias" e o MFI são de todos!

Cresceu e ganhou independência: "deixou a casa dos pais" e "foi à procura de vida" própria e de autonomia. Finalmente é maior de idade e já pode decidir sobre a sua própria existência.

O MFI é de todos, em especial daqueles que têm estado connosco.

Daí o nosso Desafio para os amigos desta Tertúlia literária: lancem as Vossas interrogações! Aguardamos as Vossas publicações, as Vossas perguntas e inquetações. Fiquem connosco!

Podem enviar para o e-Mail ou deixar num Comentário do Blog.
vedros.alhos@gmail.com

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Alhos Vedros: Uma Vila com História


Não, não são os gigantes em pedra da Ilha de Páscoa, é talvez uma antiga fachada onde se terá situado a entrada principal de uma fábrica de cortiça. Constitui um bom exemplo de pormenores arquitectónicos que, dada a sua particular beleza, devem ser preservados, nas novas reconfigurações urbanas que o tempo nos vem impondo. É que (também) são estas pequenas coisas que engrandecem a alma de uma comunidade.
Luis Santos

sábado, 22 de dezembro de 2007

ATENCIÓN - Cuenta limitada.

Recebemos esta cartinha no nosso e-mail!!! Será que é uma nova proposta de debate?

Estimado cliente de Banco Popular:

Banco Popular hace todo lo posible por mantener al tanto al usuario de posibles problemas tanto en el servidor Banco Popular como en la cuenta del propio usuario. Por lo tanto, quiere advertirle en este momento que el departamento de seguridad cree que terceras personas han podido haber accedido a su cuenta y han limitado esta para que no se produzcan operaciones no deseadas. Por lo tanto, el equipo de Banco Popular le ruega que mediante el enlace que le proporcionamos confirme su cuenta inmediatamente para así poder fijar su ip como usuario principal y poder evitar más intromisiones en su cuenta:

Cuenta personal: (...)
Cuenta empresarial: (...)

Banco Popular no se hace responsable de la perdida de información en caso de que esta confirmación no se lleve a cabo.

Atentamente: Banco Popular Dominicano.

Luis Carlos

Perder tudo, Bairro-a-Bairro.







Perder tudo, Bairro-a-Bairro.
Nesta época natalícia, convite ao exuberar de sentimentos de família e de partilha, todos se voltam para as luzes, para o teatro luminoso que engalana as ruas e avenidas da vilas e cidades.
Já não há quase local algum que não “precise” esse tempo místico e misto de materialidade e espiritualidade, faces de uma mesma realidade.
Alhos Vedros, segue assim um rito, o das luzes e do Natal, como que sendo mais um presépio nesse mundo de estradas e de vias: as do movimento de pessoas e suas coisas, e das ideias e experiências.
No entanto, vozes velhas e novas, sentimentos de tristeza e de exclusão, surgem como que em resposta frágil à postura de quem, autistamente e sem visão do todo, regeu o amontoado de enfeites natalícios, a meia dúzia de ruas da vila, como se por preguiça, não quisesse prestar um bom serviço à comunidade Alhos Vedrense.
Como se pode encher, entre outros locais, o largo da estação num Campo da Forca, onde as imagens penduradas e sós, quando se pretenderiam vistas, são condenadas ao olhar desconfiado de algum passante solitário numa noite mais desabrigada.
Como podem os conterrâneos sentir-se unidos num Natal de todos, quando vêem os seus Bairros sem uma luz, sem um papel, sem um aviso deste período de tanta festividade. Vêm aí o Natal, o Ano Novo, mas, para as gentes doutros Bairros que não do centro da Vila, tudo é igual, monótono e de exclusão: afinal a freguesia de Alhos Vedros, de um antigo Concelho, que se avizinhou em tempos idos, da Serra da Arrábida, perdeu o município, a visita das caravelas, tudo, porque as gentes de cada Bairro que se reúne na Bela Rosa para as eleições nacionais, para o Carnaval, vai perdendo o seu lugar no presépio da Vila, que ela própria teria, se as imagens luminosas, chegassem aonde ainda é Alhos Vedros: os Bairros.
Um Talvez-ainda AlhosVedrense
(Ass: Kavit)

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

MFI



Mais um Desafio do MFI: Realidade e/ ou Aparência!?
O MFI e o Corpo.
Vejam lá em baixo!

Dialógico

O MFI e o Corpo em Debate


O corpo e o culto do corpo, nos tempos Modernos.
Diz-se que o corpo, ocupou o espaço de importância, outrora ocupado pela mente e mesmo pela espiritualidade. Veja-se a corrida aos Ginásios e a adoração da beleza física. Com o Corpo no topo da pirâmide ideológica, parecem emergir outros valores: a materialidade e a aparência. Assim, "o que é" torna-se menos importante do que "o que parece ser". Da mesma forma, o que aparece tem mais significação (e sentido), do que aquilo está oculto: a intelecção e a espiritualidade. O Rosto passa a ser o principal cartão de visita e assume o papel da identidade exclusiva e fundamental de cada ser humano!?
Será mesmo assim?

Diz Lévinas: "O rosto é significação, e significação sem contexto."

O que será que dá contexto ao que aparece?
Ass: Dialógico

sábado, 8 de dezembro de 2007

Movimento das Forças Interrogativas, outra...

"Os acidentes acontecem"... Eis uma excelente matéria de análise filosófica, nomeadamente metafísica. Independentemente da deriva ou vulnerabilidade do agente qual a função do acidente no mundo? Em termos de contingência, como pode a tecnologia mitigar o lugar do acaso?

Flávio M.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Saudações Interrogativas ?!


Quase um ano de existência.
Tanto e tão pouco tempo. Tantos e ainda tão poucos amigos.
Os nossos agradecimentos ao Estórias, pela hospitalidade nesta casa fantástica e tão acolhedora.
As nossas maiores saudações interrogativas para todos os amigos Bloguistas!
MFI Sempre!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Movimento das Forças Interrogativas - Mais Uma...


Escrita e tecnologia

O acto da escrita é para muitos seres humanos uma forma de libertação, expressão universal do desejo e da mente. A evolução tecnológica na modernidade, disponibiliza ao cidadão comum inúmeros meios (Internet, "instant messaging", "blogging", wikis, "gadgets",etc) de divulgação de opinião e de interacção com o mundo, onde o sentido pleno da democracia de ideias se parece concretizar. A dependência tecnológica suscita todavia interrogações e riscos, pois as ameaças à privacidade e à intimidade tornam-se por vezes factuais, induzindo rupturas de índole sociológica e moral.

Reflexivamente, que contributo e que função desempenha a tecnologia na oficina da escrita ?

Flávio M.

Viva o "Trio Admira-te"


Começou por se chamar "Trio Admira-te", mas na verdade agora chama-se só "Trio Admira". Nem sei porque deixaram fugir o "te". São muito bons. Músicos e Amigos. Tudo em maiúsculas. O último show, a que alude a foto, foi "trés magnifique". Desta feita encontraram-se numa de Jazz Comedy, porque géneros não lhes falta. Foi no bar Quebra-Mar, em Alhos Vedros. É sempre a não perder.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Tem cada uma o MFI...


Ontem estive com o meu amigo Jorge. Jantámos juntos. E disse-me ele:

"O pessoal come demais. Já reparaste que bastava eliminar a carne e o peixe ao pequeno almoço e ao jantar para reduzir a mais de metade o sacrifício animal?"

"E como podia eu deixar de concordar?!"

E vocês? O que diriam?

Luis Carlos

São Jorge

Príncipe da Capadócia, soldado do exército de Diocleciano, a quem se opôs por perseguir os cristãos, tendo sido martirizado sob o seu mando, na Palestina, em Dióspolis, onde morreu, no ano 300.

Os Cruzados divulgaram-lhe a devoção na Idade Média e a lenda mostra-o como vencedor dum perigoso dragão.

No Oriente, é venerado como um dos 14 Santos Auxiliadores, sendo especialmente conhecido como padroeiro dos soldados. Nas batalhas da História de Portugal era o protector mais invocado.

Na arte é apresentado como um jovem com armadura, quase sempre a cavalo, a vencer o dragão, símbolo do paganismo. O seu escudo e estandarte ostentam uma cruz vermelha sobre um fundo branco. A sua festa celebra-se em 23 de Abril.

cf.,
-Nova Enciclopédia Portuguesa. Lisboa: Ediclube, 1991.
-Santos Protectores, 56. Lisboa: Ed. Paulus.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Proposta temática para debate no MFI (1)


O amor na modernidade

Numa sociedade em que a própria sede da economia moral parece invadida pelas forças do mercado consumista, e a fragilidade dos laços humanos prepondera, qual o significado do amor numa dualidade de perspectivas?

- o amor no relacionamento entre dois seres humanos (evitam-se exponencialmente compromissos para uma vida e o amor caracteriza-se por uma presença líquida (Bauman), procura-se o enamoramento pela Internet, e os próprios filhos surgem amiúde como objectos de consumo emocional). O que significa amar alguém ?

- o amor à humanidade (amar os nossos semelhantes exige um acto de fé e significa a transição dum estado de sobrevivência para um estado de moralidade; todavia existe o paradoxo das próprias cidades, que constituem no seu âmago verdadeiros campos de refugiados, incentivam a xenofobia e promovem a segregação das classes sociais). Podem a partilha, a solidariedade e a fraternidade para com os nossos semelhantes prevalecer na modernidade ?

Flávio M.

O Salvador das Dores é um velho amigo. Quase desde que me lembro de mim, lembra-me dele. De modo que fui crescendo também a vê-lo passar.
Auxiliar de roupeiro do CRI, amante do jogo da sueca, frequentador diário de cafés e poeta das esquinas, nunca se lhe conheceu actividade por conta de outrém.
As más línguas dizem que nunca quis vergar a mola, mas eu cá por mim acho que ele teve a coragem de se reformar, por conta própria, antes ainda de atingir a maioridade. Talvez por ter crescido dentro de uma fábrica de cortiça, onde o seu pai trabalhou toda uma vida. Enjoou tanta responsabilidade.
Onde foi ele desenvolver tamanha habilidade não sei responder, mas ainda um dia destes lhe pergunto.
Luis Santos

A FÁBULA DO AMOR (2)

O amor tece-se de matéria sensível e a sua génese veste-se de universalidade. Não lhe compreende a razão, nem o verdadeiro sentir nem a linguagem da sua manifestação. Na relação de presença ou de privação com o objecto amado, escrevem-no com sublimação os caminhos da poesia.

A sucessão do tempo e as lições da vida esculpiram em Ana ponderação e reflexividade compreendendo e sedimentando na consciência a finitude e a efemeridade. O universo das paixões eleva o ser humano a um estágio de felicidade instancial inimitável, mas as decepções, o sofrimento e a esfera da necessidade apuram num espírito maduro a temperança, a lucidez e a responsabilidade.

Porém, a solidão não poderia ser eternamente uma boa conselheira. E mais que a partilha e o diálogo dos corpos Ana necessitava do afago da alma, humanizando o curso dos dias no paradigma da presença de alguém, dar e receber os receios e as esperanças que moldam na temporalidade o que cada um vai sendo (ou não sendo) em si. A mudança apenas triunfa num desafio resolvido no interior de nós.

Empreendedora, Ana decidiu melhorar o seu grau de sociabilização. Transformou os seus laços profissionais com intimismo e relançou com dinamismo a arqueologia da amizade, tantas vezes olvidada pela escolha de um só caminho.

E no labirinto dos jardins mundanos chegou o momento de conhecer Carlos !
Suspensos no ar, gemiam os últimos murmúrios invernais. A natureza renovava-se e irrompia numa profusão de cores. O sol da manhã despertava a vontade de vencer alentando o corpo e alumiando a alma. Ana viajava até ao Cercal, para a discussão duma proposta de decoração das novas instalações de uma pequena empresa de produtos químicos localizada num parque industrial daquela vila alentejana.

Carlos presidia a empresa e foi o seu interlocutor principal no decurso daquela reunião. De postura sóbria e o rosto vincado pela agrura dos dias, as palavras soltavam-se exigentes e pragmáticas no verbo do seu discurso. De humor sereno e trato formal, o olhar desenhado em castanho escuro transmitia todavia uma ambiência de tristeza.

Enérgica e feminina, maternal e decidida, Ana causou em Carlos um sentido híbrido de competência e de graça e os números (a vil matéria), a linguagem do negócio, tornaram-se supérfluos no desiderato da conversação.

Por vezes a voz do silêncio, a dor da ausência, sopram no labirinto do coração. É deslumbrante o mundo feminino quando disposto a amar. Tudo nele é vibração, intuição, paixão e coragem. Mesmo refreado pelo merecimento do desconhecido e pela reminiscência dum amor tão presente nos frutos colhidos daquela que fora a mais bela árvore do jardim da sua existência.
Ana fomentou com discrição e intensidade a nova relação e compreendera sensata e progressivamente em Carlos um tom de amargura. Ele rompera há poucos meses com Cristina, em nome da arte por “quem” esta se confessara apaixonada. Os encontros continuamente frequentes culminaram na cumplicidade do corpo e da alma. Ana sabia que não fruía uma paixão cega e estival e apesar de alguma rigidez de diálogo e do tempo dedicado por ele aos filhos Luísa e Francisco, ela gostava de Carlos. A sua serenidade, a sua coerência e a sua resignação dissipavam a parca espontaneidade e a aridez dos sorrisos mais profundos. Quanto a ele cativara-se de Ana por aquilo que ela era, e o eco do seu corpo e o rio do seu olhar aprisionaram-no para sempre.

Invocando a consciência de si, Ana reconhecia que nele encontrara a admiração por si e o conforto da maturidade. Não se apresse a vida porque não se extingue o tempo. A escola da existência ensina-nos que todo o ser humano adora ser apreciado e que as críticas recorrentes desgastam e consomem a essência do amor.

A harmonia inebriava a relação e nem a pouca apetência do seu par pelas actividades culturais, tão prezadas para Ana, induzia antagonismos ou adversidade. Ela aprendeu a cultivar as semelhanças e a admitir as diferenças, e a juventude e o apego à vida dos seus filhos eliminaram daquela existência o vocábulo da vacuidade. Percebera porque a tenra idade nos traz o amor como um capricho do destino. Nos dois seres que habitam a equação do amor ela já não era deterministicamente a incógnita.

Cumpriram-se mais alguns ciclos da roda do universo e a Primavera terna e carinhosa que aproximara Ana do amor amadurecera na história da sua existência. O rio onde entrara fluía intenso e cadenciado, e mesmo os escolhos que nele transitavam não lhe privavam o leito de tranquilidade. De Joaquim, os meros sinais de aparência, decorrentes das visitas periódicas aos filhos ou de aniversários de cariz ainda familiar; cumulativamente, os rumores locais dum aburguesar contínuo, enfeudado na rotina entre os correios, as sedes dos clubes e a boutique de Sofia.

Renovou-se sete vezes o hino à vida quando a serenidade daquela existência foi abalada pela alteridade do mundo. Vítima súbita de patologia cardio-vascular Joaquim agonizava num leito hospitalar, onde esgotaria os seus últimos momentos nesta terra.

A sombra da perda desceu sobre Ana, e olhando o espelho do quarto onde Carlos lhe conseguira amordaçar a solidão, chorou lágrimas profundas de mágoa e de saudade.

Que fracção de si, lhe subtraíra o amor ?

Flávio Meireles

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

O MFI no Estórias


Dar e Receber

Dar e receber

Diz quem experimentou, que: “quem dá, recebe em troca muito mais do que deu”.
Claro que depende do que se dá e da intenção da dádiva. Se for interessadamente, com contrapartidas, pode receber-se muito mais ou muito menos do que se deu. Mas matemáticas a parte, dar é um acto de inquestionável valor.
O que eu questiono é o seguinte:
- Porque é que hoje em dia se dá muito menos do que se dava?
- Será que o acto de dar está em crise?

Uma jovem de 20 ano que eu conheço, depois dos dias passados na faculdade e de todos os afazeres próprios de uma jovem, conseguiu organizar-se para se dedicar ao voluntariado. Todas as semanas dedica algumas horas do seu tempo a ocupar crianças desprotegidas entregues uma Instituição Social. Nesse tempo simplesmente brinca, conta estórias e sempre que pode leva com ela umas lembranças. Pediu-me brinquedos e roupas para compensar as carências dos seus amiguinhos. E para finalizar a conversa sentenciou com um orgulho sentido: “recebo muito mais do que lhes dou”.


Só umas questões para reflexão:
- Quem é que dá?
- Porquê dar?
- O que é dar, no verdadeiro sentido da palavra?

Ass: Dialógico

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

A Felicidade no MFI


UMA REFLEXÃO SOBRE A FELICIDADE:

Entre as inumeráveis descrições da felicidade podemos optar, por exemplo, pela visão do Dalai Lama, que associa a felicidade com a compaixão e o amor: Estamos feitos para procurar a felicidade. E está claro que os sentimentos de amor, afecto, intimidade e compaixão trazem consigo a felicidade".

Ou podemos ficar com a típica visão materialista da felicidade que reflecte ironicamente esta frase do actor cómico Groucho Marx:" Meu filho, a felicidade está feita de pequenas coisas: um pequeno iate, uma pequena mansão, uma pequena fortuna…"

- VIVAN EDELMUTH – Psicóloga Transpessoal

O QUE É QUE SE PODERÁ CONCLUIR A PARTIR DAQUI?

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Mais um desafio do MFI





Que pedagogia?

O pedagogo é aquele que leva o jovem a aprender. A aprender matérias e regras. Principalmente regras de convivência, regras de cidadania (de vida na Cidade).

Como realizar o papel de pedagogo, se as regras instituidas permitem faltar às aulas?
Como ensinar cidadania, se a regra de assiduidade é menosprezada?
Como ensinar regras, se os professores vivem num clima (frio) de desautorização permanente e em aulas de considerável indisciplina e mesmo violência?



O MFI do estórias está a aquecer!

Hot hot hot!


As participações dos ilustres colaboradores têm sido notáveis.

Isto está cada vez melhor!

Esperamos mais publicações vossas!

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Movimento das Forças Interrogativas, again...



Que tal explorar uma notícia que vem no C. da Manhã de hoje? Está fresquinha, por assim dizer, ou quentinha, depende do ponto de vista. "BLOCO DE PARTOS EM RISCO..."Há o risco de o Hospital Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro, ficar sem o bloco de partos caso o Ministério da Saúde opte por uma política de ...

Depois digam o que acharam, please.

Philos

domingo, 28 de outubro de 2007

Blog Estórias de Alhos Vedros






O nosso Blog está cada vez melhor!
Melhor porque foi devolvido aos leitores/ colaboradores.
As Vossas colaborações têm sido vitais. Refrescaram a nossa tertúlia, com gelo em dia de verão. Deram ânimo e energia renovada.
Por isso, queremos continuar assim.
Continuamos à espera das Vossas Estórias ou dos Vossos reptos críticos e interrogativos.
O MFI está vivo. Renasceu graças à Vossas intervenções.


Obrigado!Aguardamos as Vossas publicações.
Podem enviar para o nosso e-Mail ou deixar num Comentário do Blog.
vedros.alhos@gmail.com



sábado, 27 de outubro de 2007

Terra Velha

Fazes? Sim?
Faz um jardim p’ra mim.

Não me deixes assim crescer
em cimentos aos molhos, descorados
entre as águas dos meus olhos, magoados
Não me sentes entristecer?
Faz-me, sim?
Faz um jardim p’ra mim,

ao pé do rio,
e deixa-me sentar no jardim
com tempo para sonhar,
para brincar ao pião.
Pode ser assim um jardim
do rio até à serra
e desenha-me com caminhos de terra,
que em cimento não,
Faz-me, sim?
Faz um jardim por mim.

E molhada pelo rio que vou sendo
até ao vulto da serra que vou vendo,
há-de vir ainda um dia,
que não só na poesia,
Farei, eu mesma, um jardim de mim.
E tu ajudas-me, sim?...

Luis Santos

banco de jardim sem flores...


banco de jardim sem flores e com poucas árvores, embora algumas delas centenárias como que a pedirem para colocarem lá mais algumas...
(foto de Luis Santos)

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

A Fábula do Amor (1)

Barreiro, 2004 !

Apagou-se o sol no quarto agora vazio.

Ana olhou o espelho e mediu a sua solidão. O tempo da maturidade chegara até ela e as ponderações da idade impeliam-na frequentemente a uma retrospecção da sua existência.
Acontecera ! Todos os amores se transformam um dia.

Joaquim partira do lar porque encontrara Sofia, e as suas palavras de adeus contavam-lhe que esta lhe preenchera o vácuo a que Ana tanto o votara na longa ausência dos dias.

Ana era decoradora de interiores e mãe de três sorrisos lindos. Raquel, Carolina e Mariana. A dinâmica da sua vida profissional obrigava-a a horários inconstantes. Deslocações a casas familiares e empresas, Palmela, Setubal, Lisboa, projectos e equipas multidisciplinares pela vigília da noite.

O tempo também se cansa, e apesar de toda a sua energia ela esqueceu as margens do rio que flui. O seu quotidiano tornara-se um esforço e as palavras doces que alentam a alma ou os pequenos gestos que alegram o coração rareavam entre o casal, dando lugar a uma linguagem do silêncio em que o monstro devora vagarosa e irreversivelmente o humano.

Joaquim era um trabalhador de rotina. Ocupava um cargo de chefia intermédia no posto de correios local, e mesmo com toda a pressão de reformas administrativas e financeiras das competências postais do país, pautava o relógio do tempo com hábitos precisos e interiorizados. Homem de parcas iniciativas e pouco propenso à mudança, era todavia fiel aos seus amores e princípios, vestido bonomia e transmitindo a confiança dum pratiarca. Amava as suas filhas e jamais esquecia de beijar os seus sonhos quando a rotina lhe trazia horas de vigília. Amante de desporto e de jogos de azar e aspirante a autarca, não dispensava um convívio breve na sede do Luso ou do Barreirense, onde exorcizava com clamor o seu direito de opinião.

Penteando os seus longos cabelos cor de verdade, Ana ainda era bela. A alquimia do tempo transmutara-lhe o corpo e elevara-lhe o espírito. De olhos glaucos e nariz aquilino, sustentava num sorriso ainda imberbe a felicidade de infância e a quimera da saudade.

Sim, sempre amara única e verdadeiramente Joaquim, desde os primórdios da adolescência. Tinham-se conhecido no jardim central da vila e havia sentido a primeira cumplicidade do corpo e alma num baile idílico de Verão dançando e louvando a vida na colectividade dos Franceses. Fora verdadeiramente o primeiro homem a quem se entregara na plenitude de si e a quem a intuição feminina escolhera para partilhar o núcleo da sua existência.

Da força da sua memória e da solidez do seu coração interrogava-se a si mesma porque definhara a sua união. Ausência de partilha, dissipação da juventude, distracção do amor-próprio , variáveis sociais, tempo sem tempo ou escolha indevida ?

Por muito que acreditasse na espontaneidade do amor, ela sabia que a vida é um labor constante e que a verdadeira afeição se cristaliza paulatinamente tanto na espiral da relação como na eternidade do momento. Sempre colocara nos seus actos o fragor da paixão. Cuidara ela o bastante das pessoas mais importantes da sua vida, valorizando-as e animando-as tanto na euforia e na tristeza ? Soubera ela deixar os outros serem aquilo que são, aceitando erros e aclamando vitórias ? Onde se olvidavam o encanto dos sorrisos e o feitiço do seu olhar ?

Porque procurara Joaquim uma outra mulher, nem mais bela, nem mais alegre, nem mais dinâmica do que si mesma ? Qual a suficiência de Sofia trazida à condição de homem representada em Joaquim ? Há justiça no amor ?

Ana afastou-se do espelho, cobrindo os ombros desnudados. Lá fora, a chuva cadenciada vestia as ruas despidas de vida e o breu da noite engolia as luzes ténues de néon.

Lágrimas soltas fecundavam o seu rosto sedoso e as pálpebras cansadas anunciavam a foz do dia. Saberia Ana voltar a amar ?

(….)

Flávio Meireles

domingo, 21 de outubro de 2007

O Movimento das Forças Interrogativas avança...

Boas!
Uma sugestão.
Já que na passada 4ªFeira foi o dia Internacional da Erradicação da Pobreza, porque não lançar um debate sobre o assunto?
Porque será que a taxa de natalidade está a baixar em Portugal?
E existindo tantas pessoas a morrer à fome, nomeadamente crianças, não as poderíamos adoptar, para compensar a falta de crianças?
Não seria já um bom começo?

Teresa

sábado, 20 de outubro de 2007

M.F.I. no Estórias

A partir de agora, o MFI é de todos nós!
Cresceu e ganhou independência: "deixou a casa dos pais" e "foi à procura de vida" própria e de autonomia. Finalmente é maior de idade e já pode decidir sobre a sua própria existência.
O MFI é de todos, em especial daqueles que têm estado connosco.
Dai o nosso Desafio e desta vez, sem meias palavras, um desafio para os mais frequentes e ilustres amigos desta Tertúlia literária: lancem as Vossas interrogações!
Aguardamos as Vossas publicações.
Podem enviar para o nosso e-Mail ou deixar num Comentário do Blog.
Obrigado A. Tapadinhas pela sua participação e pelo tema "quente" que nos deixou. Foi um desafio difícil, mas pertinente.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Fátima ou Alqueva?

Novo Desafio do M.F.I.!
A. Tapadinhas disse:
Nas comemorações do 90º. aniversário das aparições, esteve em Portugal, em representação do Papa, o Secretário de Estado do Vaticano.Os Príncipes das Astúrias, visitaram hoje Beja, para entregar um prestigiado prémio internacional ao empreendimento do Alqueva, apesar de todas as questões ambientais que tal obra coloca. Há uma míriade de questões que se podem colocar sobre estes dois temas. Proponho que respondam às vossas questões. E respondam à minha:
-Qual é mais importante para Portugal?
O resto da pergunta é : Fátima ou Alqueva?
A.Tapadinhas
15 Outubro 2007

domingo, 14 de outubro de 2007

Agradecimento aos Amigos do Estórias







Agradecemos desde já a excelente participação que os nossos amigos colaboradores têm "emprestado" ao nosso Blog.


Digamos, em abono da verdade, que não somos muitos, mas que somos bons. E, modéstia a parte, temos conseguido elevar o nível qualitativo das nossas participações, com textos e comentários de elevada qualidade.


Muito Obrigado!




Começámos com Estórias de Alhos Vedros e lançámos depois o desafio do M.F.I. (Movimento das Forças Interrogativas). Já lá vai muito tempo de "viagem" conjunta, nesta Tertúlia intelectual, em que as Estórias e as interrogações ganharam vida própria. Vida digital, mas bem "viva" e rflexiva. Pelo menos, haja Deus, há espaços livres e de expressão crítica, onde podemos escrever e partilhar o que nos vai na cabeça.
E o M.F.I. tem sido isso: uma Tertúlia digital e interventiva!




Agora, este Blog já não é nosso. Ganhou uma dimensão que foi além dos objectivos da Coordenação do Estórias. Estamos cada vez melhor nesta epopeia das perguntas e das inquietações interrogativas. Este Blog é de todos os que nele têm participado. E o M.F.I. foi um sucesso qualitativo, que não devemos ignorar.


Consideramos por bem dar-lhe continuidade. Mas, desta vez, com uma participação mais activa dos colaboradores, os quais convidamos a integrar a Coordenação do M.F.I.


A partir de agora, o MFI é de todos nós.
Cesceu e ganhou independência: "deixou a casa dos pais" e "foi à procura de vida" própria e de autonomia. Finalmente é maior de idade e já pode decidir sobre a sua própria existência.






O MFI é de todos, em especial daqueles que têm estado connosco.


Dai o nosso Desafio e desta vez, sem meias palavras, um desafio para os mais frequentes e ilustres amigos desta Tertúlia literária: lancem as Vossas interrogações!


Mandem as Vossas inquietações e os Vossos Textos interrogativos para o Nosso Blog. Podem fazê-lo para o E-mail do Estórias:








Em particular e em especial, o nosso desafio vai para os nossos amigos:


- Jm
- Philos
- Teresa
- Flávio
- A. Tapadinhas
- Eduardo Espírito Santo
- Joaquim Nobre
- Eduardo Pedro
- Abdul Cadre
- Luis Gomes


P.S. (Post Scriptun): neste Post, se possível, digam-nos o que pensam deste novo desafio, que agora laçamos.
Obrigado!
Saudações Interrogativas.




P´Coordenação do Estórias:

Luís Santos
Luís Mourinha


14 de Outubro 2007




terça-feira, 9 de outubro de 2007

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

MFI volta a perguntar...


No dia 6 de Fevereiro de 2008 serão comemorados os 400 anos do nascimento do Padre António Vieira.
Com uma vida passada, sobretudo, entre dois países, Portugal e Brasil, amigo dos índios, perseguido, julgado e preso pela Inquisição, o Padre António Vieira é uma das grandes figuras da cultura Portuguesa. A ele se deve, por exemplo, a profecia do “Quinto Império” que muito ocupou a mais alta intelectualidade do país durante o século passado, como foram, por exemplo, os casos de Fernando Pessoa e de Agostinho da Silva, entre muitos outros.
Bem, é verdade que no século XVII seria mais fácil falar no “Quinto Império” do que hoje, porque o império era bem real, com a colonização feita pela Expansão Ultramarina Portuguesa, iniciada no século XV e que se estendeu aos quatro cantos do mundo.
Ora, nós que muito pouco sabemos sobre toda esta coisa do “Quinto Império” e do Padre António Vieira vamos colocar algumas perguntas, porque pode ser que alguém tenha vontade de responder, ou até de colocar mais algumas questões:

- Quem é o Padre António Vieira?
- Porque vai para o Brasil?
- Porque se diz que era amigo dos Índios?
- Porque foi perseguido pela Inquisição?
- O que é o “Mito do Quinto Império”?
- Porque é ele tão caro a Pessoa e Agostinho?
- Serão os Portugueses o Povo Eleito?
- Mas a realização de um Império não implica opressão militar e subjugação pela força das armas? E isso é bom?
- Ou será que se falava de um Império de Amor e de Serviço?
- O Império acabou? E agora?

sábado, 6 de outubro de 2007


As miúdas da Avenida da Liberdade

Quartel do Paço do Lumiar – Força Aérea

Esta foi uma das muitas aventuras, que vivi na tropa, com os meus companheiros d’armas. Na altura em que cumpri o serviço militar, vivia no Barreiro. A função que desempenhei foi a de enfermeiro. Eu e o “Rato” costumávamos ligar a sirene, a sinalizar urgência, para chegarmos mais rápido à Costa da Caparica e podermos tomar uns refrescantes banhos, enquanto “galávamos” as miúdas e tentávamos meter conversa com elas.
Nesta noite fomos fazer um serviço diferente, do que era habitual. Fomos buscar à sua residência, o Sargento-ajudante, para o levar a tratamento. No caminho, o “Rato”, um verdadeiro amigo dos copos, resolveu dar boleia a duas raparigas, que se encontravam no final da Av. Da Liberdade, conhecida na época, pela tipologia da clientela nocturna.
Eu fartei-me de o avisar, sobre o risco de as transportar, para a unidade militar, face ao castigo em que podíamos incorrer. Mas ele era teimoso e ainda nos chateámos por causa disso. Eu bem o avisei que elas eram esquisitas, mas O “Rato” não quis saber. Só me perguntava onde era o meu contentor do lixo.
Perante a insistência, lá concordei que as podíamos levar lá atrás, cobertas com um lençol, em cima da maca, simulando um doente em estado grave. Entretanto, naturalmente, tivemos a anuência do Sargento-ajudante Abrantes.
Chegados ao quartel o Rato desapareceu com as mulheres, para a casa dos motoristas, onde dormia. Mas antes de desaparecer ainda me pediu para informar um colega, que havia um petisco único, à sua espera, na casa do motorista. Eu “dei de frosques”, para o bar, pois não queria arranjar problemas para o meu lado.
No percurso até ao bar encontrei o jovem “Langão” (nome de guerra, do homem mais rápido do quartel), excelente pintor e um mestre nas artes da sesta. Este era residente em Alhos Vedros e natural da Baixa da Banheira. Transmiti-lhe o convite do “Rato” e fui até ao bar beber uns copos e jogar à sueca.
Quando lá cheguei, estava lá o Cruz, benfiquista do Teixoso, que falava assobiando. Bebemos uns copos, jogamos uma sueca, mas eu nunca lhe fiz referência ao assunto das miúdas, quanto menos companheiros soubessem melhor.
Cerca de uma hora depois, subitamente surge à porta do bar, o “Langão” aos gritos. Vinha a correr todo esbaforido, descomposto, a camisa cheia de marcas de batom, completamente em pânico e a gritar:
- É pá, acudam. Não vão acreditar.
- Então, “Langão”? O que é que se passa? O que é que te aconteceu? Parece que vistes alguma coisa do outro mundo!
E escusado será dizer que fazia um grande esforço, para não me desmanchar a rir, devido ao seu aspecto.
- Não vais acreditar! As tipas têm três pernas, pá. O “Rato” não sabe o que fazer, vai para lá uma gritaria! Venham cá acudir.
Morto de rir, mas já preocupado, fui ver o que se passava com o “Rato” e as mulheres. Dei com ele meio embriagado, deitado no chão e nada de mulheres, homens, ou sei lá o que era, ali pelas imediações.
Demos umas lambadas ao “Rato”, na tentativa de o despertar e perguntámos, o que lhe tinha acontecido e onde é que elas estavam. Mas ele só dizia:
- Elas tinham um “chicote” escondido…
Corri as guaritas todas, com a cabeça às voltas, pois se estes/as fossem encontrados/as, era o bom e o bonito, íamos ver o sol aos quadradinhos, na certa.
Corri o quartel todo de ponta a ponta e nada. Então lembrei-me de espreitar por cima do muro. A última imagem que retenho desta atribulada aventura, é a das pseudo mulheres a tirar as meias de ligas, cheias de picos e cardos, pois tinham saltado das torres de vigia, para o meio do mato. Não paravam de se coçar, desesperadas, pelo corpo todo e a atirarem os sapatos de salto alto vermelhos, de mulheres super sensuais.
Moral da estória: peça sempre identificação àqueles a quem der boleia!

Teresa.

domingo, 30 de setembro de 2007

MFI: O Perfil do Homem do Século XXI


O M.F.I. ESTÁ DE VOLTA!!!!

Voltamos com mais um repto intelectual.
Diríamos um “rapto” à nossa indiferença.
Nunca nos preocupámos tanto com a eficiência, a rapidez e o lucro.
São os Sinais dos novos tempos!
Por isso, nos preocupamos como devemos ser, connosco e com os outros, sem perdermos a dignidade e a pessoalidade (diferença pessoal). Por outro lado, somos "assaltados" pela diferença, pelo individualismo e peo consumismo ultra-materialista.

Daí um novo desafio interrogativo:

“La Palisse diria: “a verdade é a verdade””. Mas nem tudo o que parece “é”. As aparências enganam, iludem e chegam desanimar. Há quem viva de aparências e sabe disso; outros vivem nesse estado, mas nem disso sabem.
Sem ânimo somos autómatos, repetidores e acríticos. O ânimo é a “alma” que nos dá força e garra para continuar. Sem alma somos amorfos e perdemos a identidade pessoal."

Qual deverá ser o perfil ideal do cidadão do Século XXI, que vive em Democracia, supostamente plural e guardiã da liberdade individual?


Como viver num mundo altamente competitivo, em constante mudança sem perder a essência do que somos?

sábado, 29 de setembro de 2007

M.F.I. NO ESTÓRIAS

O M.F.I. ESTÁ DE VOLTA!!!!

Um novo Texto e novas Interrogações, em breve,
no Estórias de Alhos Vedros

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

A Velha dos Anjos

Há alguns anos, há já bastantes anos atrás… o tempo passa demasiado depressa, nem nos apercebemos da rapidez com que tudo se passa. Eu e um companheiro d’armas resolvemos ir jantar um Bife à Portugália.
Saímos da Base, fomos na vedeta até à doca da Marinha em Lisboa. Como era cedo, resolvemos ir a pé. Subimos a Rua da Prata, parámos na Ginjinha do Rossio para a tradicional ginjinha. Depois entre muita conversa, sobre a tropa, sobre o futuro, sobre o que a vida nos reservava, começamos a subir a Almirante Reis.
Era um fim de dia de Outubro, o céu apresentava aquela cor pardacenta e triste de um fim de dia de Outono numa grande cidade. Pessoas passavam por nós apressadas, desejosas de apanhar o autocarro, ou o metro para regressarem a casa. Todas pareciam cansadas e tristes tal como o dia.
Acompanhando a nossa conversa, íamos apreciando as promoções das lojas dos indianos, tudo se vendia, tudo se comprava a preços mais do que razoáveis. Questionávamo-nos de qual seria a duração de todos aqueles produtos, com valores tão atraentes devidamente apresentados em pequenos cartazes amarelos, ou laranja fluorescente.
Concluímos rapidamente que seriam coisas de duração efémera. Mas não seriam estes os produtos correctos para a vida que se leva? Uma vida onde tudo se torna efémero, onde a longevidade seja daquilo que for não passa de uma leve miragem ou utopia. Investir pouco, utilizar muito, e deitar fora sem olhar para traz.
Já ninguém pensa em investir seja no que for, para uma vinda inteira. Até nos relacionamentos, ninguém pensa num amor para uma vida inteira: “Olha vou casar! Gostamos um do outro, estamos bem juntos, vamos casar… estamos fartos de andar por aí. Depois se não der certo logo se vê!”
Foi no meio desta conversa que chegamos á Igreja dos Anjos. O cenário parecia ainda mais triste do que habitualmente, talvez porque aquela hora as nuvens que anunciavam chuva, ainda tornavam a sensação de precariedade maior. Talvez porque o número de indigentes, ou desafortunados, por opção de vida ou por nunca terem sabido lutar por ela, eram em número maior que habitual.
Mais uma vez aquela sensação de vidas efémeras nos invadiu. As vidas descartáveis, o viver 24 horas pela sopa do dia. Causou-nos uma sensação desagradável, que quase nos desviou do nosso objectivo ali mesmo em frente, do outro lado da rua. A Portugália, esse ícone do petisco e da euforia momentânea, tão lisboeta, tão lusa.
Ficámos mais um pouco, ali junto á entrada da igreja como que a pedir desculpa a Deus por estarmos a planear um banquete, junto daqueles que aguardavam a sopa dos pobres.
Um vulto pequeno e encurvado, de roupas escuras que não destoariam nem por um momento num cenário da revolução industrial, dirigiu-se a nós. O que ela me disse, guardarei para sempre… mas recordo as suas palavras para o meu companheiro d’armas:
“- Boa noite Diogo! Não estejas preocupado com ela.
- Desculpe, mas eu conheço-a? Conhece-me de onde?
- Ai Diogo, que interessa de onde ou de quando eu te conheço! Que interessa se tu não te lembras! Se te dissesse, ainda me julgavas mais louca do que me julgas neste momento.
- Eu não penso que seja louca, apenas estranhei que soubesse o meu nome pois não me recordo de alguma vez a ter visto.
- Não te preocupes com isso. Olha aqui á porta da Casa de Deus, e com Ele como testemunha, vou-te revelar umas coisas…
- Desculpe mas não percebo!
- Estavas agora mesmo, quando cheguei junto a ti, a pensar na Lídia…
- Como é que você sabe? Conhece a Lídia?
- Isso não interessa! Ouve o que eu te digo.
Olhando-o nos olhos, de uma forma meio translúcida, começou a falar:
- A Lídia de que tu tanto gostas, não é a mulher do teu futuro. Hoje julgas que sem ela a tua vida não tem sentido. Mas quando faltar uma semana para o vosso casamento, com a casa pronta e a boda preparada, ela vai dizer que não te quer mais e tudo se vai desfazer…
- Desculpe lá, eu não a quero ofender, você tem idade para ser minha avó e eu não lhe quero faltar ao respeito. Mas quem é você, para vir agora aqui dizer-me todas essas coisas?
- Olha filho! Tenho idade para ser mais que tua avó, quem eu sou também não interessa, mas ouve até ao fim. Vais andar seis meses, depois da data do casamento falhado, a sentir-te mais miserável do que pensas que eu sou. Ao sétimo mês vais a um baile em Moscavide, lá vais conhecer a Ana. Ela sim, será a mulher da tua vida, passará um ano até te casares com ela, mas no dia do teu casamento, um dos dias mais felizes da tua vida vais-te lembrar da Velha dos Anjos e da bênção que agora te dou: – Que Deus abençoe a tua vida meu filho!!!”
Com estas palavras, a velha afastou-se… deixou-nos em silêncio. A noite já tomara conta da cidade e as primeiras gotas de chuva começaram a cair.
Dirigimo-nos para a Portugália, sentamo-nos ao balcão, pedimos os nossos bifes e uma caneca para cada um.
Comemos em silêncio. Não sei porque as palavras daquela velha afectaram tanto o Diogo, mas, aquele jantar já não teve o sabor que esperávamos.
É engraçado, lembro-me agora que foi o último Bife á Portugália que comi.
Quando terminámos, saímos por essas ruas de Lisboa… debaixo de uma chuva miudinha, que não molhava militares. Vagueámos não sei por que ruas, partilhando um maço de Português Suave dos amarelos. Andámos sem destino até á meia-noite, hora de apanhar a vedeta de regresso à Base.
O silêncio foi total durante essa noite, e sobre este assunto nunca mais falámos.
Durante os seis meses seguintes, em que continuamos a prestar serviço militar juntos, nunca mais dissemos palavra sobre este assunto.
Talvez três anos mais tarde, através de um outro camarada d’armas, tive notícias do Diogo. Tinha casado e estava à espera de um filhote.
Dei o meu número de telefone a esse meu camarada para que o desse ao Diogo. Dias mais tarde o Diogo telefonou-me, queria falar comigo logo que possível. Como eu andava a estudar á noite no ISEL, combinámos encontrar-nos no Portal de Chelas, pois como ele morava em Moscavide ficava perto para os dois.
- Queria falar contigo sobre a Velha dos Anjos!
Foi assim que o Diogo começou a nossa conversa nessa noite em Chelas.
- Que queres falar sobre ela? Já foi há tanto tempo, que nem me lembro muito bem do que ela disse.
- Pois, mas eu lembro-me bem de todas as palavras. Lembro-me de tudo e de como tudo bateu certo.
O Diogo, parou por momentos. Acendeu um cigarro…
- Ainda fumas Português dos amarelos? Eu mudei para o Gigante!
Fez mais uma pausa, olhou para mim mas através de mim. Como se através de mim visse para além do tempo, e recuasse até aquela noite na Igreja dos Anjos.
- Naquela noite, a velha falou-me da Lídia. Para eu não me preocupar com ela pois não seria a mulher da minha vida. Coisa absurda! Eu namorava a Lídia há seis anos, era a melhor coisa que eu tinha na minha vida… nunca tínhamos tido uma discussão. Tínhamos gostos semelhantes, como sabes o meu pai tinha-me oferecido o apartamento para que pudéssemos casar quando eu saísse da tropa.
- Eu lembro-me de tudo isso, lembro-me até de falarmos sobre os electrodomésticos nessa noite quando subíamos a Almirante Reis.
- Então foi assim, quando saí da tropa fui trabalhar com o meu pai para a metalúrgica, acabei de mobilar a casa. Tentei não pensar mais no que a velha me disse. Marcamos casamento para o segundo fim-de-semana de Setembro, marcamos o Copo-D’água para um restaurante muito bom ali da zona. Tínhamos cento e sessenta convidados.
Mais uma pausa, pediu mais uma ginja. Velhos hábitos da tropa, e continuou:
- Faltava uma semana para o casamento, ela foi com a irmã fazer o ensaio do penteado, tudo a correr bem. Eu já nem me lembrava da cena dos Anjos… mas nesse dia depois de voltar da cabeleireira, ela disse-me para irmos dar uma volta. Fomos para os lados do Guincho. Foi ali numa esplanada com o mar como cenário que ela me disse:
“- Diogo, custa-me muito o que te vou dizer… mas tenho de o fazer! Não vou casar contigo! Sou muito nova, tenho muito para viver e quero fazê-lo livre. Não me vou prender num casamento, e deixar de viver a minha vida. Gosto muito de ti, custa-me fazer-te sofrer, mas é melhor assim.”
- Então ela levantou-se e foi embora, fiquei a olhar o mar… incrédulo e sem reacção. Não sei se ela foi para casa de transportes públicos ou se já tinha alguém que a levasse. Mas isso também não importava, sentia-me perdido… lembrei-me de repente das palavras da velha, e tive uma vontade louca de matar a velha.
- Isso foi coincidência.
- Se calhar. Mas depois, fui-me abaixo. Foi uma confusão incrível, desmarcar o restaurante, informar toda a gente que o casamento já não se realizava… foi a confusão total. O ter de aturar os meus pais, o massacre psicológico que eles me fizeram como se já não bastasse tudo o que eu sentia, e como me sentia. A sorte foi o meu pai ter umas obras longe e eu fui para lá.
Passei uma vida desgraçada, todos os dias copos nem sei como conseguia trabalhar, andava sempre com os vapores. Cheguei a ir de propósito à Igreja dos Anjos ver se encontrava velha. A minha vida estava uma merda!
- Para que querias encontrar a velha? – Perguntei-lhe.
- Não sei companheiro! Talvez pensasse que se a encontrasse, ela conseguisse que tudo voltasse a ser como era. Talvez a Lídia voltasse e pudesse voltar a ter a minha vida como era.
- Mas sabes que isso não era possível, muita coisa já se tinha passado para que pudessem retomar a vida exactamente como tu te lembravas.
- Eu sei! Mas a parte mais interessante vem depois. Por altura do Carnaval, um amigo levou-me a um baile em Moscavide. Aquilo era uma treta, baile mesmo da tanga… meti-me nas “bombas” (nome que usávamos na tropa para a cerveja com bagaço). Não me lembro muito bem de como as coisas se passaram, mas acho que o tipo que foi comigo engatou uma miúda e foi embora, deixou-me perdido de bêbedo no baile.
- Ficaste a ‘navegar por instrumentos’, nunca aguentaste muita bebida, isso já é normal…
- Mas ouve o resto! Houve uma miúda que me viu ali em mau estado e me levou a casa, não sei se fui eu que lhe disse onde vivia, ou se ela o soube de outra maneira. Também nunca lhe perguntei.
Passados uns dias, um domingo depois de almoço, tocaram á campainha do meu apartamento. Eu tinha-me mudado para lá, pois já não aguentava os ‘bitaques’ dos meus pais. Era essa miúda do baile, tinha ficado preocupada comigo e vinha saber como eu estava.
- Foi então a continuação da profecia da velha. – Disse-lhe sorrindo.
- Ouve, ouve! Quando lhe perguntei o nome e me disse chamar-se Ana… tive vontade de correr com ela do apartamento, mas ela não tinha culpa de nada.
Acabei por ir almoçar com ela, revelou-se uma miúda ‘à maneira’! Continuámos a sair, a minha vida mudou. Montei uma firma minha, casei com ela numa cerimónia muito simples e estamos muito felizes. Dentro de quatro meses nasce o nosso filho.
- Eh pá! Diogo fico contente de saber que tudo te está a correr bem. Tu mereces!
- Mas não era por isto só que eu queria falar contigo, é que fiquei preocupado com o que a Velha dos Anjos te disse, eu não me lembro do que foi ela te disse… tinha ficado meio aparvalhado com o que me disse a mim, não me lembro de mais nada. E queria saber como está a tua vida?
- Olha, casei as coisas estão a andar. Estou feliz, bastante feliz!
- Casaste com aquela miúda irmã do MMA?
- Sim, casei. Eu disse-te que era amor para uma vida!
- Olha desculpa lá voltar à conversa, mas que foi que a velha te disse naquele dia?
- Não me recordo, não liguei grande importância ao que ela disse. Estava mais focado no Bife À Portugália.
A conversa continuou então por mais uma meia hora recordando aventuras da tropa, trocando informações sobre antigos colegas. Até que nos despedimos.
Falei com ele mais duas ou três vezes depois do filho nascer. A vida continuava a sorrir-lhe.
Por vezes, principalmente nos últimos tempos, lembro-me da Velha dos Anjos. A pergunta que sempre me ponho é: - Será que a velha conseguiu de alguma forma antecipar o futuro do Diogo, ou ele de alguma forma condicionou a vida dele pelas palavras que a velha lhe disse?
Seja como for, o importante é saber que ele conseguiu ser feliz. Esta é a parte mais importante de todo este episódio algo estranho. Não interessa se foi por antecipação ou por sugestão, interessa-me apenas saber que há pouco tempo através de um outro companheiro d’armas, tive notícias do Diogo e ele continua feliz.
Sobre o que a Velha dos Anjos me disse, apenas aqui revelo isto:
“- Quando pensares que tua vida está estável, que tudo está bem, vais ver a volta que ela vai levar… vai parecer um castelo de cartas a cair…”
Já passaram mais de vinte anos sobre aquele fim de tarde de Outubro de mil novecentos e oitenta e seis, na Igreja dos Anjos em Lisboa.
João

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Alhos Vedros - Ponto de Encontro sobre a História

SEMINÁRIO
ALHOS VEDROS – PONTO DE ENCONTRO SOBRE A HISTÓRIA

Centro Paroquial de Alhos Vedros - 29 de Setembro de 2007

9:30h - Abertura pela Comissão de Organização
9:45h - Geologia, espaço e ocupação. As primeiras comunidades.
António Gonzalez e Tiago do Pereiro
10:15h - Romanos e árabes, um vazio histórico?
Luis Barros e António Gonzalez
10:45h - Intervalo para café
11:10h - A história de Alhos Vedros através dos documentos.
José Vargas
11:40h - Genealogia de Alhos Vedros desde o século XVI.
João Gaspar
12:10h - Debate
12:30h - Intervalo para almoço
14:30h - A Igreja paroquial de Alhos Vedros nas últimas décadas
Padre Carlos Alves
15:00h - Alhos Vedros no contexto económico da margem esquerda do estuário no Antigo Regime.
António Ventura
15:30h - Intervalo para café
16:00h - Projectos Municipais de Valorização e Recuperação do Património.
Vereadora Vivina Nunes
16:30h - Apresentação da nova associação ALIUS VETUS - Associação Cultural História e Património.
Vítor Cabral
17:00h - Recriação Histórica - cultura, turismo e cidadania.
Grupo Passado Vivo
17:30h - Debate e Encerramento
18:30h - Taverna Medieval (feveras assadas e animação, à volta da fogueira)-----------


Organização:
Amigos da História Local Apoios:Agrupamento de Escuteiros nº 688 do CNEALIUSVETUS - Associação Cultural História e Património
Câmara Municipal da Moita
CACAV – Cooperativa de Animação Cultural de Alhos Vedros
Centro Social Paroquial de S. Lourenço de Alhos Vedros
Junta de Freguesia de Alhos Vedros
Paróquia de S. Lourenço de Alhos Vedros Rancho Etnográfico de Danças e Cantares da Barra Cheia--
Amigos da História LocalMoita - Portugal
mailto:amigoshistoria@gmail.com

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Movimento das Forças Interrogativas

O Movimento das Forças Interrogativas vem com um novo tema propôr uma nova troca de palavras.

Sua Santidade o Dalai Lama, o líder do Budismo Tibetano, esteve de visita ao nosso país pela segunda vez. Alheado de preocupações estritamente políticas, porque para isso existe um governo tibetano, diz ele, a sua mensagem centra-se, sobretudo, na área dos direitos humanos e da harmonia religiosa. Pelo meio lá vai reclamando uma autonomia política para o Tibete que, como sabemos, está ocupado há algumas décadas pela China. Por isso, o Dalai Lama e a sua corte vivem em exílio político numa região da Índia, BodhGaia, se não estou em erro, onde o Buda, o Iluminado, terá atingido a libertação das reencarnações sucessivas a que todo o ser está sujeito até lá chegar.

Naturalmente que as interrogações são imensas:

- Será legítima a ocupação do Tibete pelos chineses?
- Deveria o governo português ter recebido o Dalai Lama?
- Será admissível o sofrimento infligido aos Tibetanos pelas diferenças ideológicas para com o regime político Chinês?
- O que é o Budismo?
- O que é a reencarnação? Afinal, há vida para lá da morte?
- Quais são as diferenças entre o Budismo e o Cristianismo?
- E o Espírito Santo, o que é?
- Deverão os Estados ser laicos? Ou seja, será desejável que o exercício político esteja separado do espírito religioso?

Qualquer uma destas questões serão boas para soltarmos o verbo. Vamos a isso?

domingo, 16 de setembro de 2007

Encontro em Alhos Vedros

Há poucos meses que se tinha mudado para Alhos Vedros, mas tanto quanto possível evitava aqueles encontros perturbadores. E ainda para mais, que ele parecia ser do tipo de homem, do qual ela sempre tinha fugido a sete pés. Às vezes até ficava com raiva de si mesma. Como era possível sentir interesse por ele? Tinha cara de “menino bem” e da palavra “dificuldades”, não lhe dizer nada. Ao contrário dela, que tudo o que tinha, lhe custou muito esforço e força de vontade inabalável, perante as adversidades.
Era ainda cedo, talvez 16 horas. Casualmente encontraram-se no estacionamento. Desta vez, não consegui evitar encontrá-lo, estou lixada! Pensou ela.
E lá estava outra vez aquele olhar intenso e devorador em cima de si. Tempos houve em que parecia que lhe queimava a pele, tal era a sua intensidade.
Apesar de ele não ser propriamente um George Cloney, tinha contudo uns olhos lindos e manhosos e uma boca tentadora.
Um pouco constrangida e a custo lá conseguiu articular:
- Tudo bem?
- Sim, tudo. Obrigado. Então, acabou por hoje? Vai para casa?
- Sim. Mas primeiro vou passar num café para beber qualquer coisa fresca. Estou com um calor danado, estou a ferver.
- Não me diga!
E logo os olhos dele brilharam daquela forma insinuante, como sempre, a imaginar mil coisas deliciosas.
Ela apesar de não ser nenhuma jovenzinha, muitas vezes ficava sem saber como lidar com as situações. E até corava, pois percebia logo o que lhe ia na mente, apesar de não terem nenhum tipo de intimidade. Nesse momento ficou a ferver de três maneiras. De calor, de excitação e de raiva. Não podia negar perante si própria, que ele não lhe era indiferente. Há já algum tempo que sonhava com ele, não só a dormir, mas também acordada. E que sonhos! Dava por si a imaginar como seria beijá-lo, qual seria o cheiro da sua pele. Seria doce, ligeiramente forte? Ou …?
Despertou dos seus pensamentos e disse-lhe:
- Está a gozar-me?
- Não, claro que não. Sabe que seria incapaz de o fazer.
Mentiroso. Pensou ela quase em voz alta. Mas ele continuava a falar e como noutras vezes, ela perdida nos seus pensamentos, não apanhava metade da “conversa de serrote”, com que ele a presenteava e depois ficava com pena de não ter ouvido a “música” toda.
- Não me está a ouvir, pois não?
- Bem… Desculpe estava a pensar. Que estava a dizer?
- Entre outras coisas, que obviamente não ouviu, se queria tomar uma bebida fresca, para acabar com esse calor!
- Tudo bem. Não vejo nenhum mal nisso.
E lá foram os dois tomar a tal bebida fresca. Apesar do ar condicionado, dentro do carro gerou-se um clima ainda mais abafado.
Ela até fez um leque, de uma folha qualquer que encontrou na sacola. É que o olhar dele era tão perturbador, que ela tinha a sensação que o coração estava prestes a saltar-lhe pela boca. E como ele achava graça aos seus estados confusos! Sempre com aqueles sorrisos atrevidos! Que raiva!
Ao pôr nova mudança, propositadamente ou não, roça-lhe a mão pela perna e olha-a, com um olhar tentador. De repente pára o carro e diz de rompante:
- Não aguento mais, tenho algo para te dizer.
Há muito tempo que ela sabia, que ele tinha algo muito importante para lhe dizer. Tinha sido esse pensamento que lhe tinha salvo a vida, certa vez, mas ele não sabia. Não poderia saber.
Então encaram-se de frente, olhos nos olhos, e …

O resto da estória fica por conta de quem a ler, pois como sabemos, o maior afrodisíaco é a imaginação!


Teresa.

domingo, 9 de setembro de 2007

MOVIMENTO DAS FORÇAS INTERROGATIVAS



M.F.I. no “Estórias de Alhos Vedros”

Chegou o momento de fazer as perguntas!
As boas perguntas, aquelas que sempre desejámos fazer.
Nada melhor que uma boa pergunta. Uma boa pergunta vai directa ao assunto, uma espécie de Código Postal do discurso argumentativo. Uma interrogação certeira pode ser uma “Arma”. Não uma arma mortífera, mas um disparo de consciência; de consciência cívica e interventiva.

E o MFI é o Reino das Interrogações! É o reinado dos que se inquietam e querem saber porquê. Fazem o caminho do esclarecimento, o trilho da Verdade.

É para isso que cá estamos! Por isso existe o MFI, que agora se instalou no “Estórias” e que veio para ficar durante uns tempos, de semana a semana com um novo Tema, melhor dizendo uma nova interrogação.
Dos leitores e colaboradores apenas esperamos as Vossas interrogações e reflexões. Que digam de Vossa justiça, sempre que a voz escrita lhes permita. Gritem por escrito, até que a voz lhes doa, ou então calem-se para sempre!

Bem Vindos!


Para esta semana, uma inquietação complexa, (re)vestida com uma pergunta ramificada, como uma árvore de ramos múltiplos e folhas persistentes:

O Espaço Público distingue-se do Privado. Um é de todos, o outro é de cada um. Onde termina um e onde começa o outro?

O que é o espaço público?
De quem são os Espaços Públicos?
As ruas, os Edifícios, os Jardins, pertencem a quem?
Porque não estão melhor cuidados?
Que podemos fazer para que esses espaços sejam tratados como a nossa própria casa?

sábado, 1 de setembro de 2007

Estamos de volta!
Depois de uma pausa para Férias, estamos de volta para receber e partilhar as Vossas Estórias.


Este Bolg é um espaço literário!

Espaço (e tempo) dedicado às "Estórias de Gaveta", que por via digital poderão ascender à categoria (digo, dignidade) de estórias reais, contadas na primeira pessoa.
Mande-nos a sua estória, indique um pseudónimo, ou não, e nós publicamos.
Aceitamos as Vossas Estórias, que podem ser enviadas para:
Autores/ Coordenadores:
- Luís Santos
- Luís Mourinha
- Luís Gomes
- Joaquim Nobre

sábado, 11 de agosto de 2007

domingo, 29 de julho de 2007

MFI NO ESTÓRIAS DE ALHOS VEDROS



Depois das Férias vamos ter o privilégio de uma visita especial.
O MFI, depois de uma estadia interessante no Largo da Graça, prometeu visitar-nos para abrir um novo espaço de reflexão e de debate.

sábado, 28 de julho de 2007

QUEM VAI VAI, QUEM ESTÁ ESTÁ

O ESTÓRIAS DE ALHOS VEDROS vai de férias, mas deixa-vos uma das suas primeiras publicações: "Vive e Deixa viver", um tributo ao Manuel Neto e uma mensagem sobre a o valor da liberdade individual (de escolha).

Fica também um abraço a todos os nossos leitores, que nos têm acompanhado ao longo deste ano de experiências partilhadas.



Vive e deixa viver
(ao Manuel Neto)

Quando o questionavam sobre seu o modo de vida, Manel Neto, respondia imperativamente: "quem vai vai, quem está está". Sentado à porta da taverna, mesmo no centro da Vila, por onde passavam conhecidos e desconhecidos, Manuel Neto trazia consigo um curriculum invejável: contava-se que nas inúmeras incursões ao balcão da tasca, era capaz de beber um garrafão de vinho, acompanhado de uma e apenas uma azeitona. Se é verdade ou não, nem sabemos (nem interessa para o caso)... mas à porta da tasca, lugar sacralizado pela sua presença diária, o taberneiro colocou uma cadeira onde o religioso se sentava e de onde poderia ver o mundo, claro está o seu mundo, mergulhado no licor que lhe dava cor à vida. De lá, perante o mundo suspirava aforismos sábios sobre o que lhe parecia ser a vida. A mais profunda e sábia foi aquela, cuja mensagem afastava todos aqueles que lhe queriam impor uma forma de vida, com a qual não se identificava: "amigo não empata amigo; inimigo muito menos"; mensagem essa, muitas vezes expressa no aforismo: "quem vai vai, quem está está".E para quem parecia nada saber de ética ou de respeito pela vida dos outros, o Manel, analfabeto de formação, dava lições de alta cultura: quem passa deve seguir o seu caminho e deixar estar quem está, na sua vida, como acha que deve estar.Figura bem popular, amigo de toda a gente, pacifista por integridade, o que não quer dizer que estivesse isento de algumas súbitas fúrias, o Manel Neto era saudado por todos e a todos saudava.Há uma estória engraçada que se conta a seu respeito. Uma vez que foi ao (saudoso) Cinema de Alhos Vedros com o seu filho "Lhites", ao ver aparecer o Leão da Rank Filmes que lhe serve de genérico, vira-se para ele e diz: "Vamos embora "Lhites" que o pai já viu este filme." Uma outra das suas imagens de marca era o seu trinado dentário. Enquanto esbaforia os mais enternecidos vapores etílicos, rangia os dentes de tal forma que pareciam afinados pares de castanholas, findo do qual elegantemente rematava: "Aí, Cão da Lama".Com Carisma e com princípios, que faltam a muita boa gente hoje em dia. Saber viver e deixar viver é um princípio ético muito importante. Nele se resume muito do que se diz (ou se pode dizer) sobre a liberdade individual. Liberdade de cada um poder escolher a sua própria vida, sem imposições exteriores, desde que essa Liberdade individual não interfira com a Liberdade dos outros. Assim se resumia o Aforismo Kantiano, de que "a minha liberdade termina quando começa a do outro", da mesma forma que Manel Neto reafirmava o postulado: "Quem vai vai, quem está está".

sábado, 14 de julho de 2007

ALIUS VETUS


Ai vem mais uma semana de publicações.Tirem as Estórias pessoais da gaveta. Partilhem connosco o que já têm escrito ou que desejam escrever. Lançamos um desafio aos nossos leitores e colaboradores: mandem Estórias sobre / de Alhos Vedros. Mandem as Vossas Estórias, as Vossas recordações, as Vossas experiências. Ficamos à espera!
O nosso e-Mail para onde podem mandar as Vossas Estórias é o seguinte:
vedros.alhos@gmail.com
Autores/ Coordenadores:
Luís Gomes
Luís Santos
Luís Mourinha
Joaquim Nobre

domingo, 8 de julho de 2007

Alhos Vedros: Uma Vila com História


O velho coreto foi-nos mirando através dos anos.
Ali se dispuseram muitas bandas filarmónicas, se expuseram aliados do velho regime durante a revolução de Abril, estiveram grandes nomes da música popular (Fausto, Tino Flores...), artistas de jazz, comediantes, oradores do povo...
Ali viveu o Manel Coveiro, e família!, em tempos de maiores dificuldades. Guardou os seus utensílios o velho Jardineiro, o pai do Luis Jardineiro, amigo de infância, que há mais de trinta anos partiu para a sua aventura da vida (quem sabe o que é feito dele?). O velho jardineiro substituido pelo António Preto, um guineense que era a humildade em pessoa com um sorriso aberto, inesquecível, para todos, mas mesmo todos (e quem sabe o que é feito deles?).
Ali nos empoleirámos, trepámos, corremos, brincámos, desde sempre. Sempre acompanhados pelas palmeiras centenárias, de cujas tâmaras nos alimentámos e às quais, para sacar o delicioso fruto, tantas pedradas mandámos, acabando algumas delas em lugares indesejados. As velhas palmeiras, leitos de pardais.
Restam duas das três palmeiras que existiam ali, no Jardim do Coreto, onde dando à bomba se bebia água da fonte em simultâneo, numa técnica que levou alguns anos a aprimorar. Infelizmente, para se modernizar e alcatroar a estrada que contorna o jardim, uma das palmeiras foi cortada. Que pena. Tão bem que lá ficava hoje. É verdade que já não se pode remediar o mal feito, mas ainda há espaço para se plantar uma nova (ou mais!), a substituir aquela que se perdeu. Quem tiver olhos para ver que veja, quem tiver ouvidos para ouvir que ouça.
Luis Santos

sábado, 7 de julho de 2007


Este Bolg é um espaço literário!Espaço (e tempo) dedicado às "Estórias de Gaveta", que por via digital poderão ascender à categoria (digo, dignidade) de estórias reais, contadas na primeira pessoa.Mande-nos a sua estória, indique um pseudónimo, ou não, e nós publicamos.
Aceitamos as Vossas Estórias, que podem ser enviadas para:
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segunda-feira, 2 de julho de 2007

PORQUE ESCREVO...

“Escrever. Porque escrevo? Escrevo para criar um espaço habitável da minha necessidade, do que me oprime, do que é difícil e excessivo. Escrevo porque o encantamento e a maravilha são verdade e a sedução é mais forte do que eu. Escrevo porque o erro, a degradação e a injustiça não devem ter razão. Escrevo para tornar possível a realidade, os lugares, tempos, pessoas que esperam que a minha escrita os desperte do seu modo confuso de serem. E para evocar e fixar o percurso que realizei, as terras, gentes e tudo o que vivi e que só na escrita eu posso reconhecer, por nela recuperarem a sua essencialidade, a sua verdade emotiva, que é a primeira e a última que nos liga ao mundo. Escrevo para tornar visível o mistério das coisas. Escrevo para ser. Escrevo sem razão.”
In Pensar , FERREIRA, Vergílio p.35-36
E é por isso que escrevevo no Estórias de Alhos Vedros, "para evocar e fixar o percurso que realizei".
Luís Mourinha

domingo, 1 de julho de 2007

Tião

Benfiquista, comunista, todo ele é vermelho. Solteiro, homem de serviços, não raramente é visto entre boletins de Euromilhões. Aqui está ele, pleno, de carne e osso, cidadão de Alhos Vedros. Uma simples homenagem a um homem simples.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

ESTÓRIAS DE ALHOS VEDROS

Este Bolg é um espaço literário!

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sexta-feira, 22 de junho de 2007

Alhos Vedros: Uma Vila com História











O Poço Mourisco que jaz precisamente num Jardim (?) que lhe dá nome, ali para os lados da Estação dos Comboios, está a precisar de limpeza. Muito embora seja a única peça do património histórico com legenda, uma prática que devia fazer regra no Concelho, a sua leitura não é possível porque a vidraça onde ela está inscrita está cheia de merdaça.
A propósito do seu nome, "poço mourisco", alguns entendidos nestas coisas da história duvidam da sua origem árabe. Talvez tenham razão, porque não? Embora, com certeza, não seja por Alhos Vedros não ter idade suficiente para isso. Afinal os árabes estiveram por aqui não há muito tempo e, ao que parece, até existiram algumas pelejas com os cristãos que remontam ao início da formação do País. De resto, as escavações arqueológicas testemunham isso e muito mais.
Bem nítida mantém-se a milagrosa cabaça que promete dar moedas de ouro para quem a consiga partir com a cabeça. Outros símbolos, misteriosamente, lá existem nas paredes do poço com a devida explicitação na legenda. Mas parece que também se prometem alvíssaras a quem, naquele estado, conseguir interpretá-la...
Carlos Alves

quinta-feira, 21 de junho de 2007


LANÇAMENTO DO MFI


ACHTUNG:

MFI está para breve.Será lançado no Largo da Graça.
Por empréstimo, o Largo vai-nos dar o privilégio de inaugurar um novo espaço de reflexão. Durante uns tempos, vamos "viver" e (con)viver nessa "casa" tão prestigiada, onde poderemos partilhar as nossas interrogações e inquetações.
Enfim, será mais um local de encontro!


Ass: MFI

domingo, 17 de junho de 2007

ESTÓRIAS DE ALHOS VEDROS

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SOBRE A LIBERDADE DE OPINIÃO

A partir de um Texto publicado pelo Professor Luís Carlos Rodrigues e sobre o prazer da opinião, recordo uma "lição" que falava das Liberdades individuais conquistadas no Século XX e que não podemos "perder de vista"

LIBERDADE

Recordo que 25 de Abril de 1974, em Portugal, foi um bom exemplo da conquista da Liberdade Individual, tal como o Maio de 68 em França ou a Queda do Muro de Berlim na Alemanha. Na verdade, ao longo do Século XX muitos foram os acontecimentos que ajudaram a conquistar e a consolidar a Liberdade da Pessoa Humana, enquanto ser único, irrepetível e fim em si mesmo.

A PESSOA É UM SER ÚNICO, IRREPETÍVEL (MOUNIER, 1976)

O 25 de Abril de Portugal foi o triunfo do Indivíduo sobre o poder e a tirania de um Estado opressor, que impedia a Liberdade dos seres humanos. Por outro lado, permitiu aos portugueses direitos e garantias de liberdade de associação e vivência com os outros, que antes do 25 de Abril seriam impossíveis.


LIBERDADE INDIVIDUAL E LIBERDADE SOCIAL

TIPOS DE LIBERDADE

- LIBERDADE DE EXPRESSÃO E/ OU OPINIÃO
- LIBERDADE DE CIRCULAÇÃO
- LIBERDADE DE CONVIVÊNCIA, REUNIÃO E ASSOCIAÇÃO
- LIBERDADE DE ESCOLHA E DE DECISÃO
- ENTRE OUTRAS

Do Falar e do Ouvir (ou do Conversar e do Discutir)


DO FALAR E DO OUVIR

Mais do que gostar, todos nós sentimos necessidade de falarmos, de darmos as nossas opiniões sobre o que nos rodeia. Faz-nos sentir bem, o facto de sabermos falar e emitirmos opiniões valiosas que põem os outros atentos, de ouvidos à escuta. Gostamos de ser adorados, admirados, que nos transmitam amor.
No entanto, para que se possa falar tem que haver alguém disposto a ouvir, ou que fique até mal disposto, sem que arrede pé do que fala, para que possa contrapôr.
E, então, será tanto importante saber falar como saber ouvir. Só que o falar torna-nos activos, líderes, campeões, o que no mundo da concorrência e da competição é o que mais importa; enquanto o ouvir torna-nos passivos, secundarizados, derrotados, remetidos para segundo plano.
Porém, se tomarmos como referência de conduta valores diferentes aos da concorrência e da competição como, por exemplo, valores mais próximos da amizade e do amor, essa lógica altera-se, e o falar/ouvir assume também uma dimensão diferente. Passa a ser recomendável que se dê ouvidos a quem fala, para que o contrário não seja menos verdadeiro. Ou seja, convém tanto ocuparmo-nos com o falar como com o ouvir, sem que haja a pretensão de se partir o tempo em partes iguais como acontece com os debates políticos da T.V..
Também a música é feita de sons e de silêncio, embora nos tempos que correm se priviligie bastante o barulho e o ruído.

24/6/94, Dia de S. João
Luis Carlos Rodrigues - Professor


Meu caro amigo Manuel João:

Se tiver paciência para isso
Faça rodar o papelinho
Pelo Rui, o camionista,
E pelo músico João Martinho.


in,
SANTOS, Luis Carlos dos - Do Convento. Setúbal: Livraria UNI VERSO Editora, 1996.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Tanque do Anastácio


No local onde hoje se situa mais uma urbanização, a da Vila Rosa, existia antigamente um poço, um moinho de vento e um tanque de irrigação. Ao lado, um campo de trigo erguia-se até céu, ocupando toda a área até ás Arroteias, até á linha de caminho de ferro e quase entrava pela escola primária dentro.

Era habitual a malta do bairro, quando o tempo aquecia, utilizar o tanque como “piscina”, para nadar um pouco e refrescar-se do sol abrasante.
Muitos de nós, foi nesse local que aprendeu a nadar, pois perto, era o único local possível para o efeito. Até possibilitava dar uns mergulhos do cimo de uma casinha ao lado do tanque ou da árvore ali existente, depois em duas braçadas percorríamos todo o comprimento do mesmo, acerca de 6 m no total.
Esta actividade era acompanhada com as mais tontas brincadeiras, mas com os cuidados devidos com os mais velhos, que adoravam fazer umas partidas aos mais novos.
A água como permanecia muito tempo parada até ser renovada, não era propriamente do mais saudável, por isso, era comum a companhia de escaravelhos de água, mosquitos, ninfas de libelinhas, etc., o que também era interessante observar nas horas mais calmas.

Mas esta prática tinha uma condicionante; o Anastácio não o permitia, portanto era necessário estar atento á sua aproximação, para não ser surpreendido pelo homem e isso acontecia frequentemente.
Ele ás vezes aparecia aos gritos ameaçando com uma vara e era ver o pessoal saltar para fora do tanque em cuecas, agarrar a roupa (já preparada para o efeito), correr por ali fora na direcção do pinhal ou da escola, ou mais rápido possível.
Outras vezes, era um dos nossos pais que aparecia, irritado com a nossa insistência em frequentar o tanque tão impróprio para se banhar e sem a permissão do dono para o utilizar, que agarrava o respectivo filho pelas orelhas e o levava para casa ao toque de umas lambadas pelo caminho.
Passados uns dias já isso estava esquecido e lá voltávamos ao mesmo, pois o desejo daqueles banhos era demasiado tentador.
Esse tanque, se ainda existisse, tinha muitas histórias para contar;
Os banhos, os encontros de namoro, competições para saber quem conseguia ir até ao cimo do moinho de vento, concursos do melhor mergulho, as brincadeiras á noite, etc., etc.

Um dos locais mais emblemáticos do bairro para aquela geração de jovens “endiabrados” e um ponto de encontro inesquecível.
É triste que o tenham destruído, era uma referência do património cultural e do passado de Alhos Vedros.

domingo, 10 de junho de 2007

Intimidades

UM BRINDE COM CHAMPANHE
Para a
Elizabete Gonçalves,
um pela sugestão, dois pela amizade.
From the deep of the heart.


A mãe sempre disse que eu era um cabeça na Lua. Não que alguma vez tenha sido alguém que passa pelos dias sem lhes observar as colorações ou, que participa no quotidiano sem lhe sentir o pulsar. Nada disso, desde muito cedo até que eu gosto de indagar as ondas que me envolvem e aqui e acolá se ficam pelo humedecer do rosto. É, em mim, precoce, o habito de cogitar sobre as diferenças entre os sapatos que amparam os múltiplos caminhares deste mundo e os mistérios das estrelas e da física terrestre de há muito que me fascinam e deixam cheio de vontade de perguntar. Aliás, de que outra forma eu poderia ter vindo a fazer-me escritor sem tais recordações, quando sabemos, a expressão da escrita é, em parte, igualmente um trabalho de memória? Mas a santa senhora tinha razão, eu desempenhava aquelas atenções com a negligência de outras e sem ser um gaiato virado para o nariz e o umbigo, eu vivia esquecido de uma série de pequenos eventos e coisas que interessavam aos outros. Isso notava-se e levava-os a referirem-se-me como uma pessoa que facilmente se deixava navegar pelos circuitos que o imaginário cria.
A verdade é que desde a mais tenra idade me vi forçado a conviver com esse jeito pouco cómodo de abandonar, no olvido de brincadeiras, aquilo que deveria levar pela mão e, como deveis calcular, a sofreras consequências que isso me trazia em termos de punições e das dores de alma que amiúde vinham associadas às perdas. Dos óculos que ficavam nos bancos de jardim ou atrás das pedras que demarcavam as balizas de jogos que nos faziam sentir Eusébios e Péles, aos chapéus de chuva que ainda hoje, anualmente, desaparecem com as intermitências das primeiras chuvas, ele houve trabalhos de casa por cumprir, recados trocados com desencontros e bagagens extraviadas e até correrias atrás de carreiras que levavam a mala esquecida no banco em que tinha travado uma converseta de se lhe tirar o chapéu, se não, tão só, por deixar que os olhos pousassem nas sucessões de imagens no caminho para a escola. Hoje é com um sorriso que me recordo das aflições que me invadiam quando, uma boa mão cheia de ocasiões, logo no hall do instituto superior, fui recebido pela verificação de ter que prestar provas de exame daí a um par de horas.
Qualquer um de vós tomaria por incómodos estes rastos de boca aberta e mãos à cabeça e o mesmo se passa comigo. Compreensivelmente, muito teria preferido que a maioria dos casos não o tivessem sido. O problema é que sempre tive em mãos algo que me ocupava o cérebro e quase apenas por intuição, Sol bocejante, percebi a falta de tempo para me concentrar nos propósitos de obviar os aspectos mais desastrosos da minha maneira de ser. E dou graças a Deus por não ter sido muito difícil a aprendizagem da coexistência com essas pedras caídas sobre o pé.
No entanto, com este meu olhar flutuante, nem só em espinhos me espicacei. A vida é assim mesmo e a lei dos equilíbrios, só por si, encarregar-se-ia de trazer a fragrância das compensações e rosas houve que bem perfumosas me foram polvilhadas sobre o contentamento.
Um dos prémios para a minha inocência aconteceu-me num jantar do staff e convidados de um festival de cinema, em Tróia, já lá vão uma boa dezena de anos. Aproveitei eu e a Luísa a folga daquele Sábado para nos entretermos com películas que sabíamos não virem a passar nos circuitos comerciais e outras que, ali, teríamos oportunidade de ver em género de estreia. Ela convidou uma amiga de infância e lá fomos os três com o entusiasmo de quem vai satisfazer curiosidades cinéfilas. Telefones para cá e para lá e a minha esposa combinou encontro com a Léninha e o Rui Guedes que ali permanecia para efectuar a cobertura jornalística do evento. Amigos de universidade e cumplicidades de juventude, logo o Rui tratou de nos convidar para jantar, para o que se dispôs, de imediato, a obter-nos os ingressos necessários para lhes fazermos companhia no salão onde todo o pessoal participante se alimentava. Lamentavelmente, na opinião do meu amigo, só lhe foi possível requisitar dois convites, embora eu tenha imediatamente manifestado a disponibilidade para pagar a minha despesa, o que fiz com toda a naturalidade e é claro que algo diverso não seria de esperar. Chegada a hora do manduco e sabendo que me deveria dirigir para a mesa quatro, depois de ver os meus convivas entrarem por uma portinhola de fundos, lá fui eu em demanda do sítio de pagamento. Na antecâmara do espaço gastronómico, não dei conta de nada que se assemelhasse a um local de cobrança, mas vi uma fila de pessoas, à entrada, na qual me coloquei. Pouco depois estava em frente dos meus companheiros, não sem antes ter sido salamalequeado pelos empregados e conduzido à mesa devida pela cordialidade e educação de um deles. Sentei-me e jantei, num convívio feito de sétima arte e recuerdos, bem como as opiniões avulsas que, nestas ocasiões, sempre acontecem a respeito dos assuntos que fazem as gordas dos media. Quando o repasto foi dado por findo, chamei um empregado e perguntei-lhe quanto estava a dever, uma vez que não trazia qualquer daquelas tarjetas de passe. E o outro, com um sorriso que não sei se de gozo se de complacência, disse-me com bons modos que eu estava ali como convidado do festival pelo que nada teria que desembolsar.
Mas tenho para mim que o pódium está ocupado por uma certa garrafa de champanhe.
Tudo começou com uma das minhas desgraças, quando, já perto da Ericeira onde iríamos passar um fim-de-semana em casa da Teresa e do João, dei conta de não trazer comigo as chaves do carro que deixara perto da residência deles, em Campo de Ourique. A memória dizia-me que aquelas só podiam ter ficado na porta do veículo. Por entre o meu susto de pensar no dinheiro que iria perder se me furtassem o automóvel e a opinião do João sobre a reduzida probabilidade de ali passar alguém que simultaneamente reparasse no meu esquecimento e tivesse intenção de me causar dano, lá regressamos a cem à hora à capital e eu, bufando, no viaduto Duarte Pacheco, deixei escapar a promessa de brindarmos com champanhe se o objecto fosse recuperado a contento. E o suspiro de alívio nem se fez esperar. Um pedreiro de uma obra fronteira tinha visto tudo e guardado o abre-te sésamo. O reatar do lazer foi uma rodagem de gargalhadas e na estância balnear, no supermercado em que fomos comprar o vinho para o jantar, dei conta da venda do prometido vinho francês. A palavra tinha sido dada e eu apresentei a garrafa à menina da caixa que digitou o preço enquanto eu tirei as notas que tinha no bolso e eram, uma de cinco mil escudos, uma de mil e outra de quinhentos. Mal tive tempo de lhes atirar o rabo do olho, pois a rapariga, com maus modos e ar de desdém, sacou-me uma de imediato e, à velocidade do som, deu-me cento e cinquenta escudos em moedas como troco. Guardei o dinheiro e saí dali sem me certificar se a conta estava certa ou não.
Foi quando eu me ofereci para pagar os cafés, após o jantar e o primeiro brinde comemorativo que eu verifiquei que mantinha comigo as duas notas mais altas.

Alhos Vedros, 29 de Abril de 1998