sexta-feira, 29 de junho de 2007

ESTÓRIAS DE ALHOS VEDROS

Este Bolg é um espaço literário!

Espaço (e tempo) dedicado às "Estórias de Gaveta", que por via digital poderão ascender à categoria (digo, dignidade) de estórias reais, contadas na primeira pessoa.Mande-nos a sua estória, indique um pseudónimo, ou não, e nós publicamos.Aceitamos as Vossas Estórias, que podem ser enviadas para:
- vedros.alhos@gmail.com

Autores/ Coordenadores:
- Luís Santos
- Luís Mourinha
- Luís Gomes
- Joaquim Nobre

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Alhos Vedros: Uma Vila com História











O Poço Mourisco que jaz precisamente num Jardim (?) que lhe dá nome, ali para os lados da Estação dos Comboios, está a precisar de limpeza. Muito embora seja a única peça do património histórico com legenda, uma prática que devia fazer regra no Concelho, a sua leitura não é possível porque a vidraça onde ela está inscrita está cheia de merdaça.
A propósito do seu nome, "poço mourisco", alguns entendidos nestas coisas da história duvidam da sua origem árabe. Talvez tenham razão, porque não? Embora, com certeza, não seja por Alhos Vedros não ter idade suficiente para isso. Afinal os árabes estiveram por aqui não há muito tempo e, ao que parece, até existiram algumas pelejas com os cristãos que remontam ao início da formação do País. De resto, as escavações arqueológicas testemunham isso e muito mais.
Bem nítida mantém-se a milagrosa cabaça que promete dar moedas de ouro para quem a consiga partir com a cabeça. Outros símbolos, misteriosamente, lá existem nas paredes do poço com a devida explicitação na legenda. Mas parece que também se prometem alvíssaras a quem, naquele estado, conseguir interpretá-la...
Carlos Alves

quinta-feira, 21 de junho de 2007


LANÇAMENTO DO MFI


ACHTUNG:

MFI está para breve.Será lançado no Largo da Graça.
Por empréstimo, o Largo vai-nos dar o privilégio de inaugurar um novo espaço de reflexão. Durante uns tempos, vamos "viver" e (con)viver nessa "casa" tão prestigiada, onde poderemos partilhar as nossas interrogações e inquetações.
Enfim, será mais um local de encontro!


Ass: MFI

domingo, 17 de junho de 2007

ESTÓRIAS DE ALHOS VEDROS

Este Bolg é um espaço literário!Espaço (e tempo) dedicado às "Estórias de Gaveta", que por via digital poderão ascender à categoria (digo, dignidade) de estórias reais, contadas na primeira pessoa.Mande-nos a sua estória, indique um pseudónimo, ou não, e nós publicamos.
Aceitamos as Vossas Estórias, que podem ser enviadas para:
Autores/ Coordenadores:
- Luís Santos
- Luís Mourinha
- Luís Gomes
- Joaquim Nobre

SOBRE A LIBERDADE DE OPINIÃO

A partir de um Texto publicado pelo Professor Luís Carlos Rodrigues e sobre o prazer da opinião, recordo uma "lição" que falava das Liberdades individuais conquistadas no Século XX e que não podemos "perder de vista"

LIBERDADE

Recordo que 25 de Abril de 1974, em Portugal, foi um bom exemplo da conquista da Liberdade Individual, tal como o Maio de 68 em França ou a Queda do Muro de Berlim na Alemanha. Na verdade, ao longo do Século XX muitos foram os acontecimentos que ajudaram a conquistar e a consolidar a Liberdade da Pessoa Humana, enquanto ser único, irrepetível e fim em si mesmo.

A PESSOA É UM SER ÚNICO, IRREPETÍVEL (MOUNIER, 1976)

O 25 de Abril de Portugal foi o triunfo do Indivíduo sobre o poder e a tirania de um Estado opressor, que impedia a Liberdade dos seres humanos. Por outro lado, permitiu aos portugueses direitos e garantias de liberdade de associação e vivência com os outros, que antes do 25 de Abril seriam impossíveis.


LIBERDADE INDIVIDUAL E LIBERDADE SOCIAL

TIPOS DE LIBERDADE

- LIBERDADE DE EXPRESSÃO E/ OU OPINIÃO
- LIBERDADE DE CIRCULAÇÃO
- LIBERDADE DE CONVIVÊNCIA, REUNIÃO E ASSOCIAÇÃO
- LIBERDADE DE ESCOLHA E DE DECISÃO
- ENTRE OUTRAS

Do Falar e do Ouvir (ou do Conversar e do Discutir)


DO FALAR E DO OUVIR

Mais do que gostar, todos nós sentimos necessidade de falarmos, de darmos as nossas opiniões sobre o que nos rodeia. Faz-nos sentir bem, o facto de sabermos falar e emitirmos opiniões valiosas que põem os outros atentos, de ouvidos à escuta. Gostamos de ser adorados, admirados, que nos transmitam amor.
No entanto, para que se possa falar tem que haver alguém disposto a ouvir, ou que fique até mal disposto, sem que arrede pé do que fala, para que possa contrapôr.
E, então, será tanto importante saber falar como saber ouvir. Só que o falar torna-nos activos, líderes, campeões, o que no mundo da concorrência e da competição é o que mais importa; enquanto o ouvir torna-nos passivos, secundarizados, derrotados, remetidos para segundo plano.
Porém, se tomarmos como referência de conduta valores diferentes aos da concorrência e da competição como, por exemplo, valores mais próximos da amizade e do amor, essa lógica altera-se, e o falar/ouvir assume também uma dimensão diferente. Passa a ser recomendável que se dê ouvidos a quem fala, para que o contrário não seja menos verdadeiro. Ou seja, convém tanto ocuparmo-nos com o falar como com o ouvir, sem que haja a pretensão de se partir o tempo em partes iguais como acontece com os debates políticos da T.V..
Também a música é feita de sons e de silêncio, embora nos tempos que correm se priviligie bastante o barulho e o ruído.

24/6/94, Dia de S. João
Luis Carlos Rodrigues - Professor


Meu caro amigo Manuel João:

Se tiver paciência para isso
Faça rodar o papelinho
Pelo Rui, o camionista,
E pelo músico João Martinho.


in,
SANTOS, Luis Carlos dos - Do Convento. Setúbal: Livraria UNI VERSO Editora, 1996.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Tanque do Anastácio


No local onde hoje se situa mais uma urbanização, a da Vila Rosa, existia antigamente um poço, um moinho de vento e um tanque de irrigação. Ao lado, um campo de trigo erguia-se até céu, ocupando toda a área até ás Arroteias, até á linha de caminho de ferro e quase entrava pela escola primária dentro.

Era habitual a malta do bairro, quando o tempo aquecia, utilizar o tanque como “piscina”, para nadar um pouco e refrescar-se do sol abrasante.
Muitos de nós, foi nesse local que aprendeu a nadar, pois perto, era o único local possível para o efeito. Até possibilitava dar uns mergulhos do cimo de uma casinha ao lado do tanque ou da árvore ali existente, depois em duas braçadas percorríamos todo o comprimento do mesmo, acerca de 6 m no total.
Esta actividade era acompanhada com as mais tontas brincadeiras, mas com os cuidados devidos com os mais velhos, que adoravam fazer umas partidas aos mais novos.
A água como permanecia muito tempo parada até ser renovada, não era propriamente do mais saudável, por isso, era comum a companhia de escaravelhos de água, mosquitos, ninfas de libelinhas, etc., o que também era interessante observar nas horas mais calmas.

Mas esta prática tinha uma condicionante; o Anastácio não o permitia, portanto era necessário estar atento á sua aproximação, para não ser surpreendido pelo homem e isso acontecia frequentemente.
Ele ás vezes aparecia aos gritos ameaçando com uma vara e era ver o pessoal saltar para fora do tanque em cuecas, agarrar a roupa (já preparada para o efeito), correr por ali fora na direcção do pinhal ou da escola, ou mais rápido possível.
Outras vezes, era um dos nossos pais que aparecia, irritado com a nossa insistência em frequentar o tanque tão impróprio para se banhar e sem a permissão do dono para o utilizar, que agarrava o respectivo filho pelas orelhas e o levava para casa ao toque de umas lambadas pelo caminho.
Passados uns dias já isso estava esquecido e lá voltávamos ao mesmo, pois o desejo daqueles banhos era demasiado tentador.
Esse tanque, se ainda existisse, tinha muitas histórias para contar;
Os banhos, os encontros de namoro, competições para saber quem conseguia ir até ao cimo do moinho de vento, concursos do melhor mergulho, as brincadeiras á noite, etc., etc.

Um dos locais mais emblemáticos do bairro para aquela geração de jovens “endiabrados” e um ponto de encontro inesquecível.
É triste que o tenham destruído, era uma referência do património cultural e do passado de Alhos Vedros.

domingo, 10 de junho de 2007

Intimidades

UM BRINDE COM CHAMPANHE
Para a
Elizabete Gonçalves,
um pela sugestão, dois pela amizade.
From the deep of the heart.


A mãe sempre disse que eu era um cabeça na Lua. Não que alguma vez tenha sido alguém que passa pelos dias sem lhes observar as colorações ou, que participa no quotidiano sem lhe sentir o pulsar. Nada disso, desde muito cedo até que eu gosto de indagar as ondas que me envolvem e aqui e acolá se ficam pelo humedecer do rosto. É, em mim, precoce, o habito de cogitar sobre as diferenças entre os sapatos que amparam os múltiplos caminhares deste mundo e os mistérios das estrelas e da física terrestre de há muito que me fascinam e deixam cheio de vontade de perguntar. Aliás, de que outra forma eu poderia ter vindo a fazer-me escritor sem tais recordações, quando sabemos, a expressão da escrita é, em parte, igualmente um trabalho de memória? Mas a santa senhora tinha razão, eu desempenhava aquelas atenções com a negligência de outras e sem ser um gaiato virado para o nariz e o umbigo, eu vivia esquecido de uma série de pequenos eventos e coisas que interessavam aos outros. Isso notava-se e levava-os a referirem-se-me como uma pessoa que facilmente se deixava navegar pelos circuitos que o imaginário cria.
A verdade é que desde a mais tenra idade me vi forçado a conviver com esse jeito pouco cómodo de abandonar, no olvido de brincadeiras, aquilo que deveria levar pela mão e, como deveis calcular, a sofreras consequências que isso me trazia em termos de punições e das dores de alma que amiúde vinham associadas às perdas. Dos óculos que ficavam nos bancos de jardim ou atrás das pedras que demarcavam as balizas de jogos que nos faziam sentir Eusébios e Péles, aos chapéus de chuva que ainda hoje, anualmente, desaparecem com as intermitências das primeiras chuvas, ele houve trabalhos de casa por cumprir, recados trocados com desencontros e bagagens extraviadas e até correrias atrás de carreiras que levavam a mala esquecida no banco em que tinha travado uma converseta de se lhe tirar o chapéu, se não, tão só, por deixar que os olhos pousassem nas sucessões de imagens no caminho para a escola. Hoje é com um sorriso que me recordo das aflições que me invadiam quando, uma boa mão cheia de ocasiões, logo no hall do instituto superior, fui recebido pela verificação de ter que prestar provas de exame daí a um par de horas.
Qualquer um de vós tomaria por incómodos estes rastos de boca aberta e mãos à cabeça e o mesmo se passa comigo. Compreensivelmente, muito teria preferido que a maioria dos casos não o tivessem sido. O problema é que sempre tive em mãos algo que me ocupava o cérebro e quase apenas por intuição, Sol bocejante, percebi a falta de tempo para me concentrar nos propósitos de obviar os aspectos mais desastrosos da minha maneira de ser. E dou graças a Deus por não ter sido muito difícil a aprendizagem da coexistência com essas pedras caídas sobre o pé.
No entanto, com este meu olhar flutuante, nem só em espinhos me espicacei. A vida é assim mesmo e a lei dos equilíbrios, só por si, encarregar-se-ia de trazer a fragrância das compensações e rosas houve que bem perfumosas me foram polvilhadas sobre o contentamento.
Um dos prémios para a minha inocência aconteceu-me num jantar do staff e convidados de um festival de cinema, em Tróia, já lá vão uma boa dezena de anos. Aproveitei eu e a Luísa a folga daquele Sábado para nos entretermos com películas que sabíamos não virem a passar nos circuitos comerciais e outras que, ali, teríamos oportunidade de ver em género de estreia. Ela convidou uma amiga de infância e lá fomos os três com o entusiasmo de quem vai satisfazer curiosidades cinéfilas. Telefones para cá e para lá e a minha esposa combinou encontro com a Léninha e o Rui Guedes que ali permanecia para efectuar a cobertura jornalística do evento. Amigos de universidade e cumplicidades de juventude, logo o Rui tratou de nos convidar para jantar, para o que se dispôs, de imediato, a obter-nos os ingressos necessários para lhes fazermos companhia no salão onde todo o pessoal participante se alimentava. Lamentavelmente, na opinião do meu amigo, só lhe foi possível requisitar dois convites, embora eu tenha imediatamente manifestado a disponibilidade para pagar a minha despesa, o que fiz com toda a naturalidade e é claro que algo diverso não seria de esperar. Chegada a hora do manduco e sabendo que me deveria dirigir para a mesa quatro, depois de ver os meus convivas entrarem por uma portinhola de fundos, lá fui eu em demanda do sítio de pagamento. Na antecâmara do espaço gastronómico, não dei conta de nada que se assemelhasse a um local de cobrança, mas vi uma fila de pessoas, à entrada, na qual me coloquei. Pouco depois estava em frente dos meus companheiros, não sem antes ter sido salamalequeado pelos empregados e conduzido à mesa devida pela cordialidade e educação de um deles. Sentei-me e jantei, num convívio feito de sétima arte e recuerdos, bem como as opiniões avulsas que, nestas ocasiões, sempre acontecem a respeito dos assuntos que fazem as gordas dos media. Quando o repasto foi dado por findo, chamei um empregado e perguntei-lhe quanto estava a dever, uma vez que não trazia qualquer daquelas tarjetas de passe. E o outro, com um sorriso que não sei se de gozo se de complacência, disse-me com bons modos que eu estava ali como convidado do festival pelo que nada teria que desembolsar.
Mas tenho para mim que o pódium está ocupado por uma certa garrafa de champanhe.
Tudo começou com uma das minhas desgraças, quando, já perto da Ericeira onde iríamos passar um fim-de-semana em casa da Teresa e do João, dei conta de não trazer comigo as chaves do carro que deixara perto da residência deles, em Campo de Ourique. A memória dizia-me que aquelas só podiam ter ficado na porta do veículo. Por entre o meu susto de pensar no dinheiro que iria perder se me furtassem o automóvel e a opinião do João sobre a reduzida probabilidade de ali passar alguém que simultaneamente reparasse no meu esquecimento e tivesse intenção de me causar dano, lá regressamos a cem à hora à capital e eu, bufando, no viaduto Duarte Pacheco, deixei escapar a promessa de brindarmos com champanhe se o objecto fosse recuperado a contento. E o suspiro de alívio nem se fez esperar. Um pedreiro de uma obra fronteira tinha visto tudo e guardado o abre-te sésamo. O reatar do lazer foi uma rodagem de gargalhadas e na estância balnear, no supermercado em que fomos comprar o vinho para o jantar, dei conta da venda do prometido vinho francês. A palavra tinha sido dada e eu apresentei a garrafa à menina da caixa que digitou o preço enquanto eu tirei as notas que tinha no bolso e eram, uma de cinco mil escudos, uma de mil e outra de quinhentos. Mal tive tempo de lhes atirar o rabo do olho, pois a rapariga, com maus modos e ar de desdém, sacou-me uma de imediato e, à velocidade do som, deu-me cento e cinquenta escudos em moedas como troco. Guardei o dinheiro e saí dali sem me certificar se a conta estava certa ou não.
Foi quando eu me ofereci para pagar os cafés, após o jantar e o primeiro brinde comemorativo que eu verifiquei que mantinha comigo as duas notas mais altas.

Alhos Vedros, 29 de Abril de 1998

domingo, 3 de junho de 2007

ESTÓRIAS DE ALHOS VEDROS

Este Bolg é um espaço literário!
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