segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Movimento das Forças Interrogativas, again...



Que tal explorar uma notícia que vem no C. da Manhã de hoje? Está fresquinha, por assim dizer, ou quentinha, depende do ponto de vista. "BLOCO DE PARTOS EM RISCO..."Há o risco de o Hospital Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro, ficar sem o bloco de partos caso o Ministério da Saúde opte por uma política de ...

Depois digam o que acharam, please.

Philos

domingo, 28 de outubro de 2007

Blog Estórias de Alhos Vedros






O nosso Blog está cada vez melhor!
Melhor porque foi devolvido aos leitores/ colaboradores.
As Vossas colaborações têm sido vitais. Refrescaram a nossa tertúlia, com gelo em dia de verão. Deram ânimo e energia renovada.
Por isso, queremos continuar assim.
Continuamos à espera das Vossas Estórias ou dos Vossos reptos críticos e interrogativos.
O MFI está vivo. Renasceu graças à Vossas intervenções.


Obrigado!Aguardamos as Vossas publicações.
Podem enviar para o nosso e-Mail ou deixar num Comentário do Blog.
vedros.alhos@gmail.com



sábado, 27 de outubro de 2007

Terra Velha

Fazes? Sim?
Faz um jardim p’ra mim.

Não me deixes assim crescer
em cimentos aos molhos, descorados
entre as águas dos meus olhos, magoados
Não me sentes entristecer?
Faz-me, sim?
Faz um jardim p’ra mim,

ao pé do rio,
e deixa-me sentar no jardim
com tempo para sonhar,
para brincar ao pião.
Pode ser assim um jardim
do rio até à serra
e desenha-me com caminhos de terra,
que em cimento não,
Faz-me, sim?
Faz um jardim por mim.

E molhada pelo rio que vou sendo
até ao vulto da serra que vou vendo,
há-de vir ainda um dia,
que não só na poesia,
Farei, eu mesma, um jardim de mim.
E tu ajudas-me, sim?...

Luis Santos

banco de jardim sem flores...


banco de jardim sem flores e com poucas árvores, embora algumas delas centenárias como que a pedirem para colocarem lá mais algumas...
(foto de Luis Santos)

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

A Fábula do Amor (1)

Barreiro, 2004 !

Apagou-se o sol no quarto agora vazio.

Ana olhou o espelho e mediu a sua solidão. O tempo da maturidade chegara até ela e as ponderações da idade impeliam-na frequentemente a uma retrospecção da sua existência.
Acontecera ! Todos os amores se transformam um dia.

Joaquim partira do lar porque encontrara Sofia, e as suas palavras de adeus contavam-lhe que esta lhe preenchera o vácuo a que Ana tanto o votara na longa ausência dos dias.

Ana era decoradora de interiores e mãe de três sorrisos lindos. Raquel, Carolina e Mariana. A dinâmica da sua vida profissional obrigava-a a horários inconstantes. Deslocações a casas familiares e empresas, Palmela, Setubal, Lisboa, projectos e equipas multidisciplinares pela vigília da noite.

O tempo também se cansa, e apesar de toda a sua energia ela esqueceu as margens do rio que flui. O seu quotidiano tornara-se um esforço e as palavras doces que alentam a alma ou os pequenos gestos que alegram o coração rareavam entre o casal, dando lugar a uma linguagem do silêncio em que o monstro devora vagarosa e irreversivelmente o humano.

Joaquim era um trabalhador de rotina. Ocupava um cargo de chefia intermédia no posto de correios local, e mesmo com toda a pressão de reformas administrativas e financeiras das competências postais do país, pautava o relógio do tempo com hábitos precisos e interiorizados. Homem de parcas iniciativas e pouco propenso à mudança, era todavia fiel aos seus amores e princípios, vestido bonomia e transmitindo a confiança dum pratiarca. Amava as suas filhas e jamais esquecia de beijar os seus sonhos quando a rotina lhe trazia horas de vigília. Amante de desporto e de jogos de azar e aspirante a autarca, não dispensava um convívio breve na sede do Luso ou do Barreirense, onde exorcizava com clamor o seu direito de opinião.

Penteando os seus longos cabelos cor de verdade, Ana ainda era bela. A alquimia do tempo transmutara-lhe o corpo e elevara-lhe o espírito. De olhos glaucos e nariz aquilino, sustentava num sorriso ainda imberbe a felicidade de infância e a quimera da saudade.

Sim, sempre amara única e verdadeiramente Joaquim, desde os primórdios da adolescência. Tinham-se conhecido no jardim central da vila e havia sentido a primeira cumplicidade do corpo e alma num baile idílico de Verão dançando e louvando a vida na colectividade dos Franceses. Fora verdadeiramente o primeiro homem a quem se entregara na plenitude de si e a quem a intuição feminina escolhera para partilhar o núcleo da sua existência.

Da força da sua memória e da solidez do seu coração interrogava-se a si mesma porque definhara a sua união. Ausência de partilha, dissipação da juventude, distracção do amor-próprio , variáveis sociais, tempo sem tempo ou escolha indevida ?

Por muito que acreditasse na espontaneidade do amor, ela sabia que a vida é um labor constante e que a verdadeira afeição se cristaliza paulatinamente tanto na espiral da relação como na eternidade do momento. Sempre colocara nos seus actos o fragor da paixão. Cuidara ela o bastante das pessoas mais importantes da sua vida, valorizando-as e animando-as tanto na euforia e na tristeza ? Soubera ela deixar os outros serem aquilo que são, aceitando erros e aclamando vitórias ? Onde se olvidavam o encanto dos sorrisos e o feitiço do seu olhar ?

Porque procurara Joaquim uma outra mulher, nem mais bela, nem mais alegre, nem mais dinâmica do que si mesma ? Qual a suficiência de Sofia trazida à condição de homem representada em Joaquim ? Há justiça no amor ?

Ana afastou-se do espelho, cobrindo os ombros desnudados. Lá fora, a chuva cadenciada vestia as ruas despidas de vida e o breu da noite engolia as luzes ténues de néon.

Lágrimas soltas fecundavam o seu rosto sedoso e as pálpebras cansadas anunciavam a foz do dia. Saberia Ana voltar a amar ?

(….)

Flávio Meireles

domingo, 21 de outubro de 2007

O Movimento das Forças Interrogativas avança...

Boas!
Uma sugestão.
Já que na passada 4ªFeira foi o dia Internacional da Erradicação da Pobreza, porque não lançar um debate sobre o assunto?
Porque será que a taxa de natalidade está a baixar em Portugal?
E existindo tantas pessoas a morrer à fome, nomeadamente crianças, não as poderíamos adoptar, para compensar a falta de crianças?
Não seria já um bom começo?

Teresa

sábado, 20 de outubro de 2007

M.F.I. no Estórias

A partir de agora, o MFI é de todos nós!
Cresceu e ganhou independência: "deixou a casa dos pais" e "foi à procura de vida" própria e de autonomia. Finalmente é maior de idade e já pode decidir sobre a sua própria existência.
O MFI é de todos, em especial daqueles que têm estado connosco.
Dai o nosso Desafio e desta vez, sem meias palavras, um desafio para os mais frequentes e ilustres amigos desta Tertúlia literária: lancem as Vossas interrogações!
Aguardamos as Vossas publicações.
Podem enviar para o nosso e-Mail ou deixar num Comentário do Blog.
Obrigado A. Tapadinhas pela sua participação e pelo tema "quente" que nos deixou. Foi um desafio difícil, mas pertinente.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Fátima ou Alqueva?

Novo Desafio do M.F.I.!
A. Tapadinhas disse:
Nas comemorações do 90º. aniversário das aparições, esteve em Portugal, em representação do Papa, o Secretário de Estado do Vaticano.Os Príncipes das Astúrias, visitaram hoje Beja, para entregar um prestigiado prémio internacional ao empreendimento do Alqueva, apesar de todas as questões ambientais que tal obra coloca. Há uma míriade de questões que se podem colocar sobre estes dois temas. Proponho que respondam às vossas questões. E respondam à minha:
-Qual é mais importante para Portugal?
O resto da pergunta é : Fátima ou Alqueva?
A.Tapadinhas
15 Outubro 2007

domingo, 14 de outubro de 2007

Agradecimento aos Amigos do Estórias







Agradecemos desde já a excelente participação que os nossos amigos colaboradores têm "emprestado" ao nosso Blog.


Digamos, em abono da verdade, que não somos muitos, mas que somos bons. E, modéstia a parte, temos conseguido elevar o nível qualitativo das nossas participações, com textos e comentários de elevada qualidade.


Muito Obrigado!




Começámos com Estórias de Alhos Vedros e lançámos depois o desafio do M.F.I. (Movimento das Forças Interrogativas). Já lá vai muito tempo de "viagem" conjunta, nesta Tertúlia intelectual, em que as Estórias e as interrogações ganharam vida própria. Vida digital, mas bem "viva" e rflexiva. Pelo menos, haja Deus, há espaços livres e de expressão crítica, onde podemos escrever e partilhar o que nos vai na cabeça.
E o M.F.I. tem sido isso: uma Tertúlia digital e interventiva!




Agora, este Blog já não é nosso. Ganhou uma dimensão que foi além dos objectivos da Coordenação do Estórias. Estamos cada vez melhor nesta epopeia das perguntas e das inquietações interrogativas. Este Blog é de todos os que nele têm participado. E o M.F.I. foi um sucesso qualitativo, que não devemos ignorar.


Consideramos por bem dar-lhe continuidade. Mas, desta vez, com uma participação mais activa dos colaboradores, os quais convidamos a integrar a Coordenação do M.F.I.


A partir de agora, o MFI é de todos nós.
Cesceu e ganhou independência: "deixou a casa dos pais" e "foi à procura de vida" própria e de autonomia. Finalmente é maior de idade e já pode decidir sobre a sua própria existência.






O MFI é de todos, em especial daqueles que têm estado connosco.


Dai o nosso Desafio e desta vez, sem meias palavras, um desafio para os mais frequentes e ilustres amigos desta Tertúlia literária: lancem as Vossas interrogações!


Mandem as Vossas inquietações e os Vossos Textos interrogativos para o Nosso Blog. Podem fazê-lo para o E-mail do Estórias:








Em particular e em especial, o nosso desafio vai para os nossos amigos:


- Jm
- Philos
- Teresa
- Flávio
- A. Tapadinhas
- Eduardo Espírito Santo
- Joaquim Nobre
- Eduardo Pedro
- Abdul Cadre
- Luis Gomes


P.S. (Post Scriptun): neste Post, se possível, digam-nos o que pensam deste novo desafio, que agora laçamos.
Obrigado!
Saudações Interrogativas.




P´Coordenação do Estórias:

Luís Santos
Luís Mourinha


14 de Outubro 2007




terça-feira, 9 de outubro de 2007

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

MFI volta a perguntar...


No dia 6 de Fevereiro de 2008 serão comemorados os 400 anos do nascimento do Padre António Vieira.
Com uma vida passada, sobretudo, entre dois países, Portugal e Brasil, amigo dos índios, perseguido, julgado e preso pela Inquisição, o Padre António Vieira é uma das grandes figuras da cultura Portuguesa. A ele se deve, por exemplo, a profecia do “Quinto Império” que muito ocupou a mais alta intelectualidade do país durante o século passado, como foram, por exemplo, os casos de Fernando Pessoa e de Agostinho da Silva, entre muitos outros.
Bem, é verdade que no século XVII seria mais fácil falar no “Quinto Império” do que hoje, porque o império era bem real, com a colonização feita pela Expansão Ultramarina Portuguesa, iniciada no século XV e que se estendeu aos quatro cantos do mundo.
Ora, nós que muito pouco sabemos sobre toda esta coisa do “Quinto Império” e do Padre António Vieira vamos colocar algumas perguntas, porque pode ser que alguém tenha vontade de responder, ou até de colocar mais algumas questões:

- Quem é o Padre António Vieira?
- Porque vai para o Brasil?
- Porque se diz que era amigo dos Índios?
- Porque foi perseguido pela Inquisição?
- O que é o “Mito do Quinto Império”?
- Porque é ele tão caro a Pessoa e Agostinho?
- Serão os Portugueses o Povo Eleito?
- Mas a realização de um Império não implica opressão militar e subjugação pela força das armas? E isso é bom?
- Ou será que se falava de um Império de Amor e de Serviço?
- O Império acabou? E agora?

sábado, 6 de outubro de 2007


As miúdas da Avenida da Liberdade

Quartel do Paço do Lumiar – Força Aérea

Esta foi uma das muitas aventuras, que vivi na tropa, com os meus companheiros d’armas. Na altura em que cumpri o serviço militar, vivia no Barreiro. A função que desempenhei foi a de enfermeiro. Eu e o “Rato” costumávamos ligar a sirene, a sinalizar urgência, para chegarmos mais rápido à Costa da Caparica e podermos tomar uns refrescantes banhos, enquanto “galávamos” as miúdas e tentávamos meter conversa com elas.
Nesta noite fomos fazer um serviço diferente, do que era habitual. Fomos buscar à sua residência, o Sargento-ajudante, para o levar a tratamento. No caminho, o “Rato”, um verdadeiro amigo dos copos, resolveu dar boleia a duas raparigas, que se encontravam no final da Av. Da Liberdade, conhecida na época, pela tipologia da clientela nocturna.
Eu fartei-me de o avisar, sobre o risco de as transportar, para a unidade militar, face ao castigo em que podíamos incorrer. Mas ele era teimoso e ainda nos chateámos por causa disso. Eu bem o avisei que elas eram esquisitas, mas O “Rato” não quis saber. Só me perguntava onde era o meu contentor do lixo.
Perante a insistência, lá concordei que as podíamos levar lá atrás, cobertas com um lençol, em cima da maca, simulando um doente em estado grave. Entretanto, naturalmente, tivemos a anuência do Sargento-ajudante Abrantes.
Chegados ao quartel o Rato desapareceu com as mulheres, para a casa dos motoristas, onde dormia. Mas antes de desaparecer ainda me pediu para informar um colega, que havia um petisco único, à sua espera, na casa do motorista. Eu “dei de frosques”, para o bar, pois não queria arranjar problemas para o meu lado.
No percurso até ao bar encontrei o jovem “Langão” (nome de guerra, do homem mais rápido do quartel), excelente pintor e um mestre nas artes da sesta. Este era residente em Alhos Vedros e natural da Baixa da Banheira. Transmiti-lhe o convite do “Rato” e fui até ao bar beber uns copos e jogar à sueca.
Quando lá cheguei, estava lá o Cruz, benfiquista do Teixoso, que falava assobiando. Bebemos uns copos, jogamos uma sueca, mas eu nunca lhe fiz referência ao assunto das miúdas, quanto menos companheiros soubessem melhor.
Cerca de uma hora depois, subitamente surge à porta do bar, o “Langão” aos gritos. Vinha a correr todo esbaforido, descomposto, a camisa cheia de marcas de batom, completamente em pânico e a gritar:
- É pá, acudam. Não vão acreditar.
- Então, “Langão”? O que é que se passa? O que é que te aconteceu? Parece que vistes alguma coisa do outro mundo!
E escusado será dizer que fazia um grande esforço, para não me desmanchar a rir, devido ao seu aspecto.
- Não vais acreditar! As tipas têm três pernas, pá. O “Rato” não sabe o que fazer, vai para lá uma gritaria! Venham cá acudir.
Morto de rir, mas já preocupado, fui ver o que se passava com o “Rato” e as mulheres. Dei com ele meio embriagado, deitado no chão e nada de mulheres, homens, ou sei lá o que era, ali pelas imediações.
Demos umas lambadas ao “Rato”, na tentativa de o despertar e perguntámos, o que lhe tinha acontecido e onde é que elas estavam. Mas ele só dizia:
- Elas tinham um “chicote” escondido…
Corri as guaritas todas, com a cabeça às voltas, pois se estes/as fossem encontrados/as, era o bom e o bonito, íamos ver o sol aos quadradinhos, na certa.
Corri o quartel todo de ponta a ponta e nada. Então lembrei-me de espreitar por cima do muro. A última imagem que retenho desta atribulada aventura, é a das pseudo mulheres a tirar as meias de ligas, cheias de picos e cardos, pois tinham saltado das torres de vigia, para o meio do mato. Não paravam de se coçar, desesperadas, pelo corpo todo e a atirarem os sapatos de salto alto vermelhos, de mulheres super sensuais.
Moral da estória: peça sempre identificação àqueles a quem der boleia!

Teresa.