quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

O Espírito dos Pássaros - Edições CEAV*



INTRODUÇÃO

Na sua eterna liberdade, o Pássaro Azul, ser que dá título ao primeiro conto deste livrinho, voando, veio até Alhos Vedros. Decerto por sentir alguma familiaridade com o lugar. A mim que me foi dada a honra e o prazer de ser seu anfitrião na sua passagem pela terra, disso deverei dar testemunho.

Alhos Vedros é terra de pássaros, também de pombos, e eu não podendo fugir ao sítio em que nasci e cresci, por razões que não vêm agora ao caso, sempre tive fortes ligações a uns e a outros.

Por etimologia, em parte por mim inventada, Alhos Vedros significa Homens Velhos com Asas. Uns dizem que a etimologia, polémica, da palavra remonta ao latim, outros que nem tanto, mas para mim encontro-lhe razão nessa singela definição. É verdade que não sou por ela o único responsável, mas livro à frente perceberão porquê.

Como, de vez em quando, vou gastando o meu tempo desta vida rascunhando algumas palavras, de repente percebi que tinha nas mãos um pequeno livro sobre os ditos pássaros. Todos reais, embora uns mais facilmente perceptíveis do que os outros. Nada foi fruto de arquitectada imaginação, bem pelo contrário, o livrinho é todo ele bem real.

Um livro sobre pássaros, dizia, esses misteriosos entes, mais que não seja pela facilidade com que desafiam a gravidade, em relações que atravessam muitas vezes a existência humana, num mundo mágico, desconhecido, incompreensível, bem diferente daquele que nos é dado pelo dia a dia da vida moderna, urbana, ocidental, globalizada.

No fundo, creio, que este Espírito dos Pássaros trata, sobretudo, de uma lição sobre a conquista da Liberdade, aspecto da vida que tanta importância tem para nós, onde os pássaros se constituem como uma boa fonte de inspiração. Espero que a contribuição seja efectiva e que possamos ser bem sucedidos.

Luis Santos

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* Casa de Estudos de Alhos Vedros
(Livro de Contos, e-book)

domingo, 14 de dezembro de 2008

Liberdade é ser e não ser

A palavra que não rima com Amor mas que o complementa,

A liberdade até de poder não ser livre,

Até ao dia em que não se precisar mais de liberdade, porque se pode ser sempre, completamente.


Luis Carlos

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

ALTERNATIVAS

Falar um bocadinho de mim também não faz mal. Mesmo que seja num Jornal público, as questões privadas até podem interessar a outras pessoas. Afinal de contas, sempre que escrevemos ou falamos, as nossas referências são as nossas próprias vivências, as experiências vividas na primeira pessoa. A avalanca que faz girar o mundo é o Eu, o nosso eu, se for partilhado e/ ou vivenciado.
Não fiquem preocupados. Não vou contar a estória da minha vida, pois, afinal de contas sou apenas um Professor a tentar ser profissional, o melhor possível, dentro de todos os condicionalismos que hoje em dia são mais do que conhecidos.
No passado fim-de-semana estive em Formação. Mais uma das formações que nós, os Professores, fazemos, umas vezes por opção e gosto pessoal, outras por obrigação, em nome da carreira e da progressão. Desta vez foi por opção! A opção paga-se com fins-de-semana e com dinheiro, que se contabiliza em Euros.
A Presseley Ridgge, empresa americana está a expandir-se em Portugal com um conceito muito interessante: a Aprendizagem Vivencial. Não é um conceito novo em Portugal nem na Pedagogia conhecida. Tem origem e muitas semelhanças com as metodologias de Dewey, que resultaram em técnicas de trabalho de Projecto e em perspectivas que apostam no saber-fazer, vivenciado e construído pelo próprio aprendente. Aprende-se a partir do que se sabe e constrói-se saber, aprendendo. Aposta-se na investigação e na interacção.
A Aprendizagem vivencial, entre outras dimensões, dirige-se a um saber ser e estar que hoje em dia faz sentido nas Escolas portuguesas. Já lá vai o tempo em que o Professor apenas tinha como tarefa o saber-saber. Era o saber das matérias, dos conteúdos, que vulgarmente se designava por instrução. Hoje as Escolas têm de responder e corresponder a desafios mais exigentes, que se prendem com os domínios da educação, ou seja, com a aprendizagem do ser e do estar com os outros. A indisciplina é um facto e as famílias já não conseguem resolver estas questões, que agora foram devolvidas às Escolas. E esse é o maior dos Problemas. Diariamente os profissionais da educação se debatem com um difícil dilema: desculpar para integrar ou ser rígido e inflexível?
Mas, a Aprendizagem vivencial é muito mais do que isto e na sua essência poderia ser um referencial pedagógico e civilizacional. Este modelo posta na Formação de Adultos para que eles possam responder aos novos desafios. São os desafios da diferença cultural, da comunicação e da liderança, entre outros. Os Psicólogos e os Professores são os principais destinatários. Através de dinâmicas e de simples jogos aprende-se fazendo, digo, experimentando estratégias de comunicação, para melhor corresponder às dinâmicas muitas vezes incompreensíveis dos grupos de risco e das nossas Turmas em vias de risco permanente.
Ao contrário do que se diz, penso que o mal não está nas pedagogias, mas na escolha das melhores pedagogias. Uma pedagogia que olha as pessoas de frente que as ouve e que as põe a funcionar a partir de si próprias é a única que faz sentido. O sentido é tudo com o qual nos identificamos. E só aprendizagem efectiva quando as matérias e as estratégias fazem sentido. Porque será que muito jovens não se identificam com a Escola (digo, ensino) que frequentam? Qual o sentido daquilo que aprendem?
Para mim, fez muito sentido esta Formação em Aprendizagem Vivencial, que pode ser uma boa alternativa. Por isso recomendo e deixo aqui algumas referências electrónicas:

http://www.pressleyridge.org/

http://outform.org/outschool/OutSchool_Geral/OutSchool.html

in Jornal Margem Sul

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

A minha rua sabe a mar

Da minha rua vê-se o mundo inteiro.

Então, sair da minha rua para quê?

Para sentir o mundo inteiro como uma rua.


LC

Figuras da minha Terra

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

A PESSOA E APOLOGIA DA DIVERSIDADE
No último Artigo escrevi sobre a “pessoa” que está em cada um de nós, por intermédio da língua que falamos, a cultura partilhada, no nosso caso a “portugalidade”.
Sempre me fascinou o sentido oculto da “persona” do latim, que os gregos antigos conotaram com a “máscara” que existe em cada um de nós. Tudo isto me transporta numa viagem até às máscaras do poeta, Fernando Pessoa, que, melhor que ninguém se desdobrou um múltiplas “pessoas”, personalidades distintas e ao mesmo tempo complementares. Seria interessante se conseguíssemos perceber quantas e quais as máscaras que estão contidas na nossa pessoa!?
Não sei se este é o Fernando Pessoa dos académicos, dos grandes estudiosos da literatura portuguesa. Provavelmente nem estou a abordar o poeta como deve ser!? Mas suponho que ele tenha percebido, melhor que ninguém, a multiplicidade interior que há em nós. É como se cada um fosse diverso, múltiplo e plural, o que vai ao encontro da noção de persona cultural, como se diz hoje, multicultural. Por isso (e não só), nunca perco a oportunidade para celebrar a multiculturalidade que há em mim e que estava presente nos escritos do poeta.
Estou convencido que é isso que nos marca e demarca como povo; essa tendência e presença de diversidade em cada português, mesmo naqueles que ainda não se aperceberam disso. Curiosa é a identidade entre o que o poeta escreveu e aquilo que somos: o Modernismo assentava nessa diversidade e pluralidade, na nossa alma de cidadãos diversos interiormente; múltiplos com várias máscaras, identidades, seres inquietos á procura do que realmente somos.
Gostaria de aproveitar o privilégio de poder escrever no Margem Sul para fazer a Apologia da Diversidade, quer através do grande mensageiro que foi Pessoa, quer através de iniciativas que as Escolas e outras Entidades continuam a fazer em nome desta “causa”. Primeiro, o elogio ao facto de nas Escolas ainda se aprender (estudar) Fernando pessoa e “as pessoas que ele contém”. Em segundo lugar, aproveitar para reforçar a ideia de que as Escolas continuam a ser os poucos espaços em que se respeita e estimula a diversidade. A Cidadania e a Ética continuam a ser preocupação de Professores e Educadores, mesmo quando lá fora (das Escolas) prevalece o individualismo e o egoísmo atroz. Estou convencido que o nosso maior deficit é de cidadania, muito pior do que o deficit económico. Precisamente quando não conseguimos ver o outro que há em cada pessoa. “Viver é ser outro”, dizia Bernardo Soares (heterónimo).
Só a consciência deste mal nos poderá conduzir a um bem. O mal é o individualismo capitalista que se apoderou de nós; o bem é a diversidade, uma riqueza, talvez a maior das riquezas: a aceitação da pessoa múltipla que existe em cada de nós. Deixo-vos a palavra do Poeta: “Sê plural como o Universo” e também alguns Sites que celebram e estudam a multiculturalidade muitas vezes em conflito aparente com a globalização:

http://olhosdever.wordpress.com/2008/04/14/multiculturalidade/

http://www.apfilosofia.org/documentos/pdf/JMAndreIdentidade(s)_Multiculturalismo.pdf

http://www.areaprojecto1.blogspot.com/



Luís Manuel Mourinha
in Jornal Margem Sul
Barreiro

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Festival Musidanças

LUSOFONIA, MESTIÇAGEM, SOM LUSO E MISTURA DO SER HUMANO

Para uns são um conjunto de identidades culturais apresentadas de forma simples ou mais ou menos misturadas.

Angola, Brasil, Cabo Verde, Comunidades Lusófonas espalhadas pelo mundo, Cidadãos estrangeiros a residir em Portugal, Galiza, Guiné Bissau, Goa, Macau, Moçambique, Portugal, S. Tomé e Príncipe, Timor Leste.

Nem sempre o reconhecimento da identidade indígena prevaleceu, mas temos que reconhecer a coragem para enfrentar o desconhecido, a criação de alianças e fraternidades, transformando e deixando-se transformar.

Do contacto entre o povo colonizador e os povos resultou um intercâmbio a vários níveis sendo deles a mais profundo o da miscígenação.

Eu sou Mulato, português nascido em Angola, de pai branco e mão negra.

No século XIX o Brasil é reconhecido internacionalmente como o país da mestiçagem.
A mistura do ser humano de origem diversa teve valorização variável através dos tempos.

A mestiçagem corrigiu a distância social.

A mestiçagem é um facto histórico a que não cabe condenar ou elogiar.

O que levou os colonialistas á mestiçagem ?

A escassez das mulheres brancas na população ou a alegada pré-disposição colonizadora para contactos inter-raciais ?

O resultado concreto foi a formação de um povo novo.

Eu preconizo um Homem com raças, misto quer seja de pigmentação quer seja de cultura.

Mestiçagem é sinónimo de diversidade.

Mestiçagem é o conhecimento do outro através da mestiçagem de culturas, é conhecer a língua, a cultura, a religião dos outros e manifestar respeito pelos outros, pela diferença e pela partilha da vida.

Existem diversidades e semelhanças nas culturas.

Ao ser mestiço cultural deixa-se de ser mediador entre culturas e acaba-se por identificar o seu pensamento com o das outras culturas.

Existe na actualidade uma identidade cultural que pode ser partilhada pelos vários países e comunidades, ser vivida em comum e partilhada na diversidade e enriquecida.

Uns dizem que a lusofonia é uma ilusão, mas que existem vestígios da presença portuguesa no mundo é uma grande verdade.

Assim como é uma grande verdade que há marcas na cultura portuguesa de vestígios das culturas dos países por onde passaram.

Agora o que não tem existido é um assumir dessas marcas, um pesquisar e descobrir essas marcas no tempo, um informar as gerações das suas origens, suas influências, não tem existido o aceitar desinibido da presença dessas culturas no presente momento em Portugal, do deixar através dos mecanismos próprios brotar e deixar vir á luz a profusão, a riqueza da presença desses povos.

Mas não é só Portugal que tem que ser alertada para a riqueza desta fonia. São os próprios brasileiros no Brasil que possivelmente pouco sabem sobre os outros irmãos da mesma língua, são os Angolanos, os Guinéus, os Cabo Verdeanos, os São Tomenses, os Moçambicanos, os Goeses, os Macaense, os Timorenses, as comunidades lusófonas espalhadas pelo mundo.

A união em torno da língua é importante pois torna-nos numa força com mais poder até internacionalmente.

Os outros povos também precisam de ser alertados para a não vergonha de se falar em português e para a necessidade de se falar nas suas línguas maternas e fundir.

Com um fio condutor que será o português temos já as línguas angolana, cabo verdeana (e de que maneira), a guineense, a moçambicana, a brasileira, a portuguesa etc.
Cada país contribuirá com o que de melhor tiver em prol do desenvolvimento e conhecimento dos outros sem problemas de quem está a controlar quem.

Se existem vícios coloniais também existem preconceitos anti coloniais.

Se um galego ou francês se identifica com a cultura portuguesa, a aprende, vive, a desfruta, quem somos nós para dizer que não pertence á lusofonia.

Mais forte que a dialéctica construída á volta desta palavra, são as vivências e essas ninguém as consegue apagar.

Mais uma vez o Musidanças aconteceu neste ano de 2008. Aconteceu com o apoio principal dos Toca a Rufar e sem o qual não teria sido possível a sua realização.
Obrigado Toca a Rufar.

Também daqui vai um obrigado especial para todos os artistas, músicos e participantes no evento deste ano.

Para um melhor funcionamento dos próximos Musidanças agradecia da vossa parte opiniões, criticas, etc..., ao Musidanças findo.

Um grande Abraço

Firmino Pascoal

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

EXPOSIÇÃO "TEJO CINTILANTE"




(verso do convite)
António Tapadinhas, artista multifacetado, nascido no Pinhal Novo, em 1942, já foi distinguido com diversos galardões, em áreas tão diferentes como Pintura, Desenho, Artes Gráficas, Literatura, Xadrez, Bilhar…
Em Setembro deste ano, foi-lhe conferido o Título e Diploma de Académico Correspondente da Academia Metropolitana de Letras, Artes e Ciências, AMLAC, de São Paulo, Brasil.

António Tapadinhas, tem o prazer de convidar V.ª Ex.ª para a inauguração da Exposição de Pintura "TEJO CINTILANTE", que se realiza no dia 25 de Outubro de 2008, pelas 10.00 horas, na Sala de Exposições da Galeria Municipal do Posto de Turismo da Moita.

Vou estar presente durante todo o dia para receber os amigos que me derem a honra da sua visita.
Até lá!

domingo, 19 de outubro de 2008

Recuerdo da visita à Regaleira - Autoretrato - Foto Luis Santos

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Liberdade

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada.
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.

O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais do que isto
É Jesus Cristo,
que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...

Fernando Pessoa, Obra Poética

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

ELOGIO À CULTURA

AO ENCONTRO DA PÁTRIA

Escrevo este texto no dia 5 de Outubro, dia da República (e não esquecer também, o dia Mundial do Professor) e talvez por isso tudo o meu pensamento se dirija para as questões da “portugalidade” e da República (“coisa pública”). Tudo isto me transporta para o maior bem, quanto a mim o mais elevado de todos – a cultura, em particular, a cultura portuguesa.
Retiro daqui qualquer consideração política (embora tudo seja política, uma vez que tudo diz respeito à nossa vida na “polis”) e também penso que me deva abstrair de acepções eruditas de cultura, que para aqui nada interessam. Refiro-me à cultura como modo de vida, modo de estar e de ser que caracteriza um povo. Também não me interessa o povo no sentido lato, mas a “pessoa colectiva”, consolidada na Língua comum, que os nossos escritores muito bem souberam retratar e que melhor nos caracteriza. Desde Camões a Fernando Pessoa muitos foram os mensageiros dessa Pátria Linguística, comum, não esquecendo a noção de Império transmitida pelo Professor Agostinho da Silva. Interessa-me muito mais pensar na Cultura portuguesa como expressão de Lusofonia, do que como organização política.
Estou convicto de que em cada um de nós existe uma “pessoa” que está para além da nossa individualidade. A essa “pessoa” chamo Pátria. A nossa Pátria a que Fernando Pessoa chamou cultura, que se representa na Língua, a Língua portuguesa. É uma certa “mensagem interior” que nos caracteriza enquanto portugueses. Em vez da geografia, a nossa verdadeira bússola é aquilo que dizemos, a forma como dizemos as coisas. O nosso verdadeiro espaço de globalização não tem espaço físico determinado. Vai da Europa à Ásia passando pelas Américas, ancorando em África e um pouco por todo o lado. Onde se fala português habita a ”pessoa colectiva”, a pessoa comum, a nossa Pátria.
É desse “lugar” supra-geográfico, ou seja, que está para além das determinações geográficas, sem fronteiras e limitações políticas, um certo “lugar português” que tratam os Sites que encontrei e que gostaria de partilhar convosco: o MIL (Movimento Internacional Lusófono) em http://www.novaaguia.blogspot.com/ e o Site da Associação Agostinho da Silva, http://www.agostinhodasilva.pt/

Ambos reflectem o que de mais profundo existe em nós, a Lusofonia, a nossa maneira ancestral de ser e de pensar, o nosso mais profundo Império, o da Língua portuguesa. É essa globalização que nos é sugerida nestes Sites como “caminho” a seguir, como alternativa das alternativas.

In Jornal Margem Sul

Luís Manuel Mourinha
Alhos Vedros, 5 Outubro 2008

terça-feira, 7 de outubro de 2008

MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO

ÁGUIA NUMERO 1

O estórias aderiu ao MIL. A confraria da Liberdade ganhou um novo "espaço ", o espaço da língua, digo melhor, da nossa cultura, marcada pela Língua Portuguesa.


Nova Águia 2


Lançamentos:
13 de Outubro, 18h00: Associação Agostinho da Silva (Lisboa);
15 de Outubro, 16h00: Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Em jeito de discussão aberta

A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres.
Agora dizemos que Sócrates não serve.
E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada.
Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates.
O problema está em nós. Nós como povo.
Nós como matéria prima de um país.
Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro.
Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude maisapreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais.
Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.
Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos ....e para eles mesmos.
Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porqueconseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.
Pertenço a um país:
- Onde a falta de pontualidade é um hábito;
- Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano.
- Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e, depois, reclamam do governo por não limpar os esgotos.
- Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.
- Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é "muito chato ter que ler") e não há consciência nem memória política, histórica nem económica.
- Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classemédia e beneficiar alguns.
Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicaspodem ser "compradas", sem se fazer qualquer exame.
- Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não lhe dar o lugar.
- Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão.
- Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.
- Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado.
- Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas.
Não. Não. Não. Já basta.
Como "matéria prima" de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que o nosso país precisa.
Esses defeitos, essa "CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA" congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até se converter em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente má, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não noutra parte...
Fico triste.
Porque, ainda que Sócrates se fosse embora hoje, o próximo que o suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos.
E não poderá fazer nada...
Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá.
Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, nem serve Sócrates e nem servirá o que vier.
Qual é a alternativa?
Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror?
Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa "outra coisa" não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados....igualmente abusados!
É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda...
Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um messias.
Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer.
Está muito claro... Somos nós que temos que mudar.
Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos:
Desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e, francamente, tolerantes com o fracasso.
É a indústria da desculpa e da estupidez.
Agora, depois desta mensagem, francamente, decidi procurar oresponsável, não para o castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir)que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido.
Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO DE QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO.
AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO NOUTRO LADO.
E você, o que pensa?.... MEDITE!

EDUARDO PRADO COELHO

P.S.:Eduardo Prado Coelho, antes de falecer, teve a lucidez de nos deixar esta reflexão, sobre nós todos, que merece uma leitura atenta.O texto é extenso, mas lê-se facilmente, e vale a pena ler (mesmo que não se concorde com tudo, a ideia base é o que importa!). Cada um que interprete como bem entender...

(enviado pela Fernanda Gil)

sábado, 13 de setembro de 2008

Foto sem interrogações, plena de liberdade.

Eu que estava quase morto no deserto
e uma confortante torrente de águas livres
aqui tão perto.
Luis Santos

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Uma fotografia interrogativa

Ensopado vegetariano em cama de pão alentejano, à moda do Centro Tisana (ver mais).
O melhor ensopado do litoral Alentejano, dizem.
Será? O que dizer quando a criatividade à solta entra pela cozinha? Aceitam o convite?
luis santos

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Estórias na Moita

Como é bom passear pelo Parque Municipal da Moita logo pela manhã, quando as árvores e as flores iniciaram o seu renascer, e enquanto se espreguiçam, sem pressa alguma, iniciam a sua calma azáfama, traduzem a luz e dão de alimento ao mundo. O Parque Municipal da Moita, diga-se, um dos magníficos lugares que temos no Concelho, verde luxuriante, flores de todas as cores, raios de branca luz puríssima.

Aqui no Parque existem duas grandes pedras que tempo fora se namoram. Ninguém dá por isso, mas eu sei que se abraçam, que se apalpam, que se beijam... Ele, o da esquerda, tem a forma de sofá, ela, a da direita, tem a forma de banco, onde outros jovens pares de namorados se pousam, sorriem de júbilo e em eróticas brincadeiras se envolvem, semi-afastados dos maldosos olhos do mundo.

Digamos que fica ali num cantinho próprio dos iniciados nestas coisas do namorar. Eu também por lá andei. Tão bom. Testemunhas disso mesmo são aqueles grandes pinheiros que, entretanto, muito cresceram e que de lá de cima nos miram.

E hei-de lá voltar!

Luis Santos

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Comunicado do MIL

Uma semana após a realização da VII Cimeira da CPLP, e tendo entretanto lido com a devida atenção as diversas Declarações – [Declaração de Lisboa]; [Declaração de Apreço ao Secretário Executivo]; [Declaração de Apreço ao Secretário Executivo Adjunto]; [Declaração sobre a Língua Portuguesa] – e Resoluções - [Resolução sobre a Atribuição do Estatuto de Observador Associado à República do Senegal]; [Resolução sobre a Circulação de Bens Culturais]; [Resolução sobre o Conselho Empresarial da CPLP]; [Resolução sobre a Concessão do Estatuto de Observador Consultivo da CPLP]; [Resolução sobre o Empenhamento da CPLP no Combate ao VIH/SIDA]; [Resolução sobre o Endosso de Candidaturas de Estados Membros a Órgãos das Organizações Internacionais]; [Resolução sobre o Funcionamento Provisório dos Centros Regionais de Excelência]; [Resolução sobre o Instituto Internacional da Língua Portuguesa]; [Resolução sobre o Orçamento de Funcionamento do IILP para o Exercício de 2008]; [Resolução sobre o Orçamento de Funcionamento do Secretariado Executivo para o Exercício de 2008]; [Resolução sobre o Poder Local na CPLP]; [Resolução sobre o Reforço da Participação da Sociedade Civil na CPLP]; [Resolução sobre o Relatório da Auditoria Conjunta às Demonstrações Financeiras da CPLP no ano de 2007]; [Resolução sobre a Segurança Alimentar] –, o MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO congratula-se publicamente pelos resultados obtidos, esperando, porém, que se passe das palavras aos actos, nomeadamente no que respeita à dinamização do Instituto Internacional de Língua Portuguesa, instituição estratégica para a afirmação da Lusofonia.

Para que a CPLP ganhe uma maior projecção a nível internacional, o MIL considera, contudo, que se deve equacionar o aprofundamento do actual modelo de organização, propondo, a esse respeito, a criação do cargo de Presidente da CPLP, com um período de mandato a ser aprovado por todos os países membros e a ser exercido por uma personalidade de reconhecido prestígio internacional. Para primeiro Presidente da CPLP, o MIL sugere o nome de José Ramos-Horta, Nobel da Paz e actual Presidente de Timor-Leste.

MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO
Comissão Coordenadora

(postagem de Luis Santos)

quinta-feira, 31 de julho de 2008


"Valeu a pena?..."

"Vós, diz Cristo, Senhor nosso, falando com os pregadores, sois o sal da terra: e chama sal da terra, porque quer que façam na terra o que faz o sal. O efeito do sal é impedir a corrupção; mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela que têm oficio de sal, qual será, ou qual pode ser a causa desta corrupção? Ou é porque o sal não salga, ou que a terra se não deixa salgar. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores não pregam a verdadeira doutrina; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes, sendo verdadeira a doutrina que lhes dão, a não querem receber. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores dizem uma cousa e fazem outra; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes querem antes imitar o que eles fazem, que fazer o que dizem."

Início do Sermão de Sto. António aos Peixes


1.
Profetizar que Portugal vai construir na Terra o V Império, porque já tinham havido Quatro, depois de ele já estar construído, não tem, digamos, nada de muito especial, não fora o facto de ter sido declarado ao arrepio da Santa Inquisição.

Por outro lado, ser amigo dos índios escravos e protegê-los contra o poder instituído dos colonos, naquele tempo, parece-nos sem dúvida coisa de um homem de coragem e de coerência de princípios, capaz de arriscar a própria vida na defesa dos direitos dos mais desfavorecidos.
Sabemos como é difícil hoje aos homens cultos dizerem aos nossos governantes que é uma vergonha nacional, a maioria dos imigrantes a trabalhar em Portugal serem sonegados de parte significativa dos seus direitos laborais, nas horas de trabalho, no vencimento, na segurança social, relembrando tempos passados. Mas é evidente que isto dito hoje, pelo menos nos países democráticos, não tem paralelo com aqueles outros tempos...

Em todos os tempos existiram e existirão pessoas de coragem. Veladas na discrição da vida ou expostas pelo "status quo", simples ou complexas, pobres ou faustas. A justiça veste múltiplas indumentárias, mas desnudada profere decisões librianas, lembrando que ainda existe verdade no mundo. A excelência da figura ímpar do P. António Vieira é a mensagem, a voz de coragem, a intemporalidade manifesta pelo seu espírito de igualdade e dignidade, o exemplo. E porque enquadrado num espírito religioso, entendeu que não existe "um" bem nem existe "um" mal. Apesar da visão "leibniziana" de que este é o melhor dos mundos possíveis, podemos construir sobre os insucessos, os desalentos ou as tragédias um mundo melhor. A beleza do amor será certamente a mais sólida fundamentação.

Parece que os Portugueses (de hoje) estão bem longe de navegação espiritual. No entanto, temos os portugueses dos séculos XIII e XIV inscritos nas viagens para os Arquétipos do Amor.
Ilhas de um Imperador em estado de Criança. Camões, Vieira, Pessoa e Agostinho são Mestres das rotas deste intemporal que subsiste em nós.
Eleitos somos pelo paradoxo e pelo imprevisível. Se calhar, no conjunto encerramos um koan do Zen Budismo. Há bem pouco tempo apercebi-me de que o riso, o trovão, a música, a luz do sol e a meditação que faço me desvelam memórias e identidades... Descobri por exemplo na voz de Ana Moura, no Sevdalim da Turquia e no lindo povo do Curdistão algo de imenso que brilha.
É na rota deste brilho que (estão) islâmicos, cristãos, budistas e em especial os judeus de israel, que gostaria imensamente tivéssemos tempos e fórmulas para sulcar. Depois de tão perto e tão longe -, A LUZ INTERIOR SERÁ A NOSSA MAIS PROFUNDA IDENTIDADE?
Não vale a pena o cansaço.

2.
«O que é o “Mito do Quinto Império”?» Estou em crer que não se trata de nada relacionado com o imperialismo... não será decerto, nenhuma sequência de impérios (tipo, houve o 1º... depois o 2º...etc...até que se chegou ao 5º).

Decerto será algo mais, digamos, transcendental. Algo do foro da evolução de cada um, algo até muito simples, como uma espécie de comunhão com a Natureza, os seus elementos, ou pelo menos o reconhecimento e aceitação de que fazemos parte desse todo.

O Mito do Quinto Império foi uma ideia desenvolvida pelo Padre António Vieira que o dava como um desígnio de Portugal e dos Portugueses que muito resumidamente resumi-lo-ei como um Império de Amor e de Serviço.

Porém, continuo a acreditar que o chamado 5º Império é algo mais profundo.
Também estou convencido que é algo muito mais antigo que a época de António Vieira.
Acho que ele apenas "lembrou" determinadas verdades, aplicando-as a Portugal (e aos portugueses), sendo aquelas, intemporais, e aplicadas a toda a Humanidade. O chamado 5º Império, é apenas uma maneira de (re)velar outros conhecimentos.

«...Algo mais antigo que a época do Vieira? Quanto? Que outras verdades? Que outros conhecimentos?»

Bem... tendo em conta que nos estamos a referir a António Vieira, um padre, relembro que na mandala cristã, os quatro animais do Apocalipse estão simbolizados pelo Leão, pela Águia, pelo Touro, e por um Homem com um livro. No centro dessa representação, está um cordeiro, o Agnus Dei. Passando para outro "patamar" poder-se-á relacionar estes animais com as quatro virtudes ditas por Zoroastro (ou Zarathrusta ...como preferirem). Assim, o Homem com o livro seria o Saber (o intelecto humano), o Leão com o Poder, a Águia com o Ousar, e o Touro com o Calar (força concentrada do touro; Estes quatro passos, seriam os necessários para a realização da Opus - O Agnus.
Porém, o número cinco, é um algarismo muito particular na tradição mítica portuguesa...talvez seja coincidência, ou sincronia (segundo Jung), que os escudetes do nosso brasão sejam cinco. Este cinco - o quinto elemento - poderá ser a consciência da alma imortal, o Ego imortal, a mente espiritual, sendo que os outros quatro, o quaternário da personalidade: o corpo físico, o corpo energético, o psíquico, e a mente concreta.
Poderá assim tomar algum sentido a afirmação de Fernando Pessoa «No Quinto Império haverá a reunião das duas forças separadas há muito, mas há muito aproximando-se: o lado esquerdo da sabedoria - ou seja a ciência, o raciocínio, a especulação intelectual; e o seu lado direito - ou seja o conhecimento oculto, a intuição, a especulação mística e cabalística.»
Relembro também o significado que possuem as cruzes, a sua relação com o cosmos, ou pura e simplesmente cada um dos seus braços (apontando para os 4 pontos cardeais), mas harmonizando os quatro elementos da Natureza...sendo o quinto elemento, o motor imóvel, a raiz do movimento...
Talvez não tenha sido por acaso que os Templários escolheram aquela cruz como símbolo. O interessante é que para fazer aquela cruz, geometricamente dum modo correcto, são necessários 5 círculos em interligação, sendo que o círculo central é raramente percepcionado, mas ele está lá!Teriam alguma razão Platão e Pitágoras ao vedarem acesso às Academias, quem não entendesse de Geometria.
Talvez o Padre António Vieira apenas estivesse a "preparar" as mentes para que as pessoas de então se consciencializassem do Novo mundo que os "descobrimentos" estavam a abrir.
Enfim, qual é a verdade, e o que é a verdade.... Puras especulações, embora sejam excelentes exercícios de intelecto o que fazemos na vã tentativa de a alcançar (a verdade).

TUDO VALE A PENA, SE A ALMA NÂO É PEQUENA.

Texto colectivo que se elaborou tendo como centro da reflexão o Padre António Vieira, dinamizado pelo Movimento das Forças Interrogativas, no blogue Estórias de Alhos, Uma Confraria da Liberdade (http://estoriasdeoutrosvelhos.blogspot.com ), decorria o mês de Outubro de 2007 (e agora proposto para publicação no segundo número da Revista "Nova ÁGUIA").


(postagem de Luis Santos)

quarta-feira, 30 de julho de 2008

ESTÓRIAS

Esta foi uma das muitas aventuras, que vivi na tropa, com os meus companheiros d’armas. Na altura em que cumpri o serviço militar, vivia no Barreiro. A função que desempenhei foi a de enfermeiro. Eu e o “Rato” costumávamos ligar a sirene, a sinalizar urgência, para chegarmos mais rápido à Costa da Caparica e podermos tomar uns refrescantes banhos, enquanto “galávamos” as miúdas e tentávamos meter conversa com elas.Nesta noite fomos fazer um serviço diferente, do que era habitual. Fomos buscar à sua residência, o Sargento-ajudante, para o levar a tratamento. No caminho, o “Rato”, um verdadeiro amigo dos copos, resolveu dar boleia a duas raparigas, que se encontravam no final da Av. Da Liberdade, conhecida na época, pela tipologia da clientela nocturna.Eu fartei-me de o avisar, sobre o risco de as transportar, para a unidade militar, face ao castigo em que podíamos incorrer. Mas ele era teimoso e ainda nos chateámos por causa disso. Eu bem o avisei que elas eram esquisitas, mas O “Rato” não quis saber. Só me perguntava onde era o meu contentor do lixo.Perante a insistência, lá concordei que as podíamos levar lá atrás, cobertas com um lençol, em cima da maca, simulando um doente em estado grave. Entretanto, naturalmente, tivemos a anuência do Sargento-ajudante Abrantes.Chegados ao quartel o Rato desapareceu com as mulheres, para a casa dos motoristas, onde dormia. Mas antes de desaparecer ainda me pediu para informar um colega, que havia um petisco único, à sua espera, na casa do motorista. Eu “dei de frosques”, para o bar, pois não queria arranjar problemas para o meu lado.No percurso até ao bar encontrei o jovem “Langão” (nome de guerra, do homem mais rápido do quartel), excelente pintor e um mestre nas artes da sesta. Este era residente em Alhos Vedros e natural da Baixa da Banheira. Transmiti-lhe o convite do “Rato” e fui até ao bar beber uns copos e jogar à sueca.Quando lá cheguei, estava lá o Cruz, benfiquista do Teixoso, que falava assobiando. Bebemos uns copos, jogamos uma sueca, mas eu nunca lhe fiz referência ao assunto das miúdas, quanto menos companheiros soubessem melhor.Cerca de uma hora depois, subitamente surge à porta do bar, o “Langão” aos gritos. Vinha a correr todo esbaforido, descomposto, a camisa cheia de marcas de batom, completamente em pânico e a gritar:- É pá, acudam. Não vão acreditar.- Então, “Langão”? O que é que se passa? O que é que te aconteceu? Parece que vistes alguma coisa do outro mundo!E escusado será dizer que fazia um grande esforço, para não me desmanchar a rir, devido ao seu aspecto.- Não vais acreditar! As tipas têm três pernas, pá. O “Rato” não sabe o que fazer, vai para lá uma gritaria! Venham cá acudir.Morto de rir, mas já preocupado, fui ver o que se passava com o “Rato” e as mulheres. Dei com ele meio embriagado, deitado no chão e nada de mulheres, homens, ou sei lá o que era, ali pelas imediações. Demos umas lambadas ao “Rato”, na tentativa de o despertar e perguntámos, o que lhe tinha acontecido e onde é que elas estavam. Mas ele só dizia:- Elas tinham um “chicote” escondido…Corri as guaritas todas, com a cabeça às voltas, pois se estes/as fossem encontrados/as, era o bom e o bonito, íamos ver o sol aos quadradinhos, na certa. Corri o quartel todo de ponta a ponta e nada. Então lembrei-me de espreitar por cima do muro. A última imagem que retenho desta atribulada aventura, é a das pseudo mulheres a tirar as meias de ligas, cheias de picos e cardos, pois tinham saltado das torres de vigia, para o meio do mato. Não paravam de se coçar, desesperadas, pelo corpo todo e a atirarem os sapatos de salto alto vermelhos, de mulheres super sensuais. Moral da estória: peça sempre identificação àqueles a quem der boleia!
Teresa.

terça-feira, 29 de julho de 2008

O PENSAMENTO FILOSÓFICO DE FERNANDO PESSOA





Descobri há pouco tempo o Pensamento filosófico de Fernando Pessoa. Fiquei impressionado, aliás, bem impressionado, ao ponto de deixar esta mensagem pessoana a todos os Homens e Mulheres carentes de modéstia e humildade. Que antes de avaliarem ou tomarem posição sobre algo, pensem bem na relatividade e instabilidade do seu próprio pensamento.

Deixo-vos aqui Um excerto da Filosofia pessoana.



O PENSAMENTO FILOSÓFICO DE FERNANDO PESSOA

In COELHO, António de Pina, Textos Filosóficos de Fernando Pessoa. Lisboa: Editorial Nova Ática; Vol. I, p. 3


“ (…) Toda a opinião é uma tese, e o mundo, à falta de verdade, está cheio de opiniões. Mas a cada opinião compete uma contra-opinião, seja crítica da primeira, seja complemento dela. Na realidade do pensamento humano, essencialmente flutuante e incerto, tanto a opinião primária, como a que lhe é oposta, são em si mesma instável (…).
(…) À certeza com que cada um pensa o que julga que pensa convém opor a certeza com que se pode pensar o contrário, com que se consegue tornar lógico o absurdo […]
O Mundo – exterior é real como nos é dado. As diferenças que há entre a minha visão do mundo e a dos outros são uma diferença de sistemas nervosos (...)”


Esta foi a minha primeira lição de Filosofia. Distinguir Verdade e Opinião e/ou Verdade e Aparência. A facilidade com que formamos opiniões, com aparência de Verdade é uma dos maiores problemas de comunicação. À minha opinião devo contrapor a opinião de outros. A minha tese (opinião) não é forçosamente a Verdade, mas sim um julgamento pessoal sobre algo; devo confrontá-la com outras e a partir daí posso caminhar para a Verdade. Os meus juízos ou avaliações da realidade podem ser interpretações falsas ou precipitadas. Só uma análise crítica ponderada pode obviar o enviesamento da Verdade. Quantas vezes formamos opiniões a partir de sensações ou de ideias construídas com base em preconceitos (o que achamos das pessoas, por exemplo) e com elas avaliamos seguramente os outros, sem nos confrontarmos com a opinião contrária ou sem nos darmos ao trabalho de consultar e ouvir todas as partes envolvidas?
A nossa visão do mundo é apenas a nossa visão do mundo, tão instável e relativa como a dos outros. Ou será que a nossa opinião é a melhor, porque é a nossa? Onde está e qual é a verdade? No Sujeito que a formula ou na realidade que avalia?


Luís Mourinha

sábado, 26 de julho de 2008

ESTÓRIAS

RECORDAR ESTÓRIAS DA GAVETA

Vive e deixa viver.
Quando o questionavam sobre seu o modo de vida, Manel Neto, respondia imperativamente: "quem vai vai, quem está está". Sentado à porta da taverna, mesmo no centro da Vila, por onde passávam conhecidos e desconhecidos, Manuel Neto trazia consigo um curriculum invejável: contava-se que nas inúmeras incursões ao balcão da tasca, era capaz de beber um garrafão de vinho, acompanhado de uma e apenas uma azeitona. Se é verdade ou não, nem sabemos (nem interessa para o caso)... mas à porta da tasca, lugar sacralizado pela sua presença diária, o taberneiro colocou uma cadeira onde o religioso se sentava e de onde poderia ver o mundo, claro está o seu mundo, mergulhado no licor que lhe dava cor à vida. De lá, perante o mundo suspirava aforismos sábios sobre o que lhe parecia ser a vida. A mais profunda e sábia foi aquela, cuja mensagem afastava todos aqueles que lhe queriam impor uma forma de vida, com a qual não se identificava: "amigo não empata amigo; inimigo muito menos"; mensagem essa,muitas vezes expressa no aforismo: "quem vai vai, quem está está".
E para quem parecia nada saber de ética ou de respeito pela vida dos outros, o Manel, analfabeto de formação, dava lições de alta cultura: quem passa deve seguir o seu caminho e deixar estar quem está, na sua vida, como acha que deve estar.

in Estórias de Outros Velhos

ANTIGAS ESTÓRIAS DA GAVETA

O amor na modernidade

Numa sociedade em que a própria sede da economia moral parece invadida pelas forças do mercado consumista, e a fragilidade dos laços humanos prepondera, qual o significado do amor numa dualidade de perspectivas?

- o amor no relacionamento entre dois seres humanos (evitam-se exponencialmente compromissos para uma vida e o amor caracteriza-se por uma presença líquida (Bauman), procura-se o enamoramento pela Internet, e os próprios filhos surgem amiúde como objectos de consumo emocional). O que significa amar alguém ?

- o amor à humanidade (amar os nossos semelhantes exige um acto de fé e significa a transição dum estado de sobrevivência para um estado de moralidade; todavia existe o paradoxo das próprias cidades, que constituem no seu âmago verdadeiros campos de refugiados, incentivam a xenofobia e promovem a segregação das classes sociais). Podem a partilha, a solidariedade e a fraternidade para com os nossos semelhantes prevalecer na modernidade ?

Flávio M.

ANTIGAS ESTÓRIAS DA GAVETA







José Manuel Ribeiro Dores, "Chalana". Já foi ciclista do Benfica, treinador das camadas jovens do Vinhense, adjunto do Paco Fortes no Pinhalnovense. É incrível a facilidade com que passa do mundo do real para o imaginário. Tem uma alma enorme, decerto, mundo de encontros vários. É assistente na venda ambulante de produtos hortícolas em transporte de tracção animal. Simples, humilde, amigo de toda a gente, nunca se lhe conheceu ponta de agressividade. É uma figura pública e deveria merecer, por isso, um qualquer reconhecimento local, porque nem só da distinta intelectualidade se enobrece um povo.
Luis Santos

RECORDAR ESTÓRIAS DA GAVETA








O Salvador das Dores é um velho amigo. Quase desde que me lembro de mim, lembra-me dele. De modo que fui crescendo também a vê-lo passar.
Auxiliar de roupeiro do CRI, amante do jogo da sueca, frequentador diário de cafés e poeta das esquinas, nunca se lhe conheceu actividade por conta de outrém.
As más línguas dizem que nunca quis vergar a mola, mas eu cá por mim acho que ele teve a coragem de se reformar, por conta própria, antes ainda de atingir a maioridade. Talvez por ter crescido dentro de uma fábrica de cortiça, onde o seu pai trabalhou toda uma vida. Enjoou tanta responsabilidade.
Onde foi ele desenvolver tamanha habilidade não sei responder, mas ainda um dia destes lhe pergunto.
Luis Santos

RECORDAR ESTÓRIAS DA GAVETA

O amor tece-se de matéria sensível e a sua génese veste-se de universalidade. Não lhe compreende a razão, nem o verdadeiro sentir nem a linguagem da sua manifestação. Na relação de presença ou de privação com o objecto amado, escrevem-no com sublimação os caminhos da poesia.

A sucessão do tempo e as lições da vida esculpiram em Ana ponderação e reflexividade compreendendo e sedimentando na consciência a finitude e a efemeridade. O universo das paixões eleva o ser humano a um estágio de felicidade instancial inimitável, mas as decepções, o sofrimento e a esfera da necessidade apuram num espírito maduro a temperança, a lucidez e a responsabilidade.

Porém, a solidão não poderia ser eternamente uma boa conselheira. E mais que a partilha e o diálogo dos corpos Ana necessitava do afago da alma, humanizando o curso dos dias no paradigma da presença de alguém, dar e receber os receios e as esperanças que moldam na temporalidade o que cada um vai sendo (ou não sendo) em si. A mudança apenas triunfa num desafio resolvido no interior de nós.

Empreendedora, Ana decidiu melhorar o seu grau de sociabilização. Transformou os seus laços profissionais com intimismo e relançou com dinamismo a arqueologia da amizade, tantas vezes olvidada pela escolha de um só caminho.

E no labirinto dos jardins mundanos chegou o momento de conhecer Carlos !
Suspensos no ar, gemiam os últimos murmúrios invernais. A natureza renovava-se e irrompia numa profusão de cores. O sol da manhã despertava a vontade de vencer alentando o corpo e alumiando a alma. Ana viajava até ao Cercal, para a discussão duma proposta de decoração das novas instalações de uma pequena empresa de produtos químicos localizada num parque industrial daquela vila alentejana.

Carlos presidia a empresa e foi o seu interlocutor principal no decurso daquela reunião. De postura sóbria e o rosto vincado pela agrura dos dias, as palavras soltavam-se exigentes e pragmáticas no verbo do seu discurso. De humor sereno e trato formal, o olhar desenhado em castanho escuro transmitia todavia uma ambiência de tristeza.

Enérgica e feminina, maternal e decidida, Ana causou em Carlos um sentido híbrido de competência e de graça e os números (a vil matéria), a linguagem do negócio, tornaram-se supérfluos no desiderato da conversação.

Por vezes a voz do silêncio, a dor da ausência, sopram no labirinto do coração. É deslumbrante o mundo feminino quando disposto a amar. Tudo nele é vibração, intuição, paixão e coragem. Mesmo refreado pelo merecimento do desconhecido e pela reminiscência dum amor tão presente nos frutos colhidos daquela que fora a mais bela árvore do jardim da sua existência.
Ana fomentou com discrição e intensidade a nova relação e compreendera sensata e progressivamente em Carlos um tom de amargura. Ele rompera há poucos meses com Cristina, em nome da arte por “quem” esta se confessara apaixonada. Os encontros continuamente frequentes culminaram na cumplicidade do corpo e da alma. Ana sabia que não fruía uma paixão cega e estival e apesar de alguma rigidez de diálogo e do tempo dedicado por ele aos filhos Luísa e Francisco, ela gostava de Carlos. A sua serenidade, a sua coerência e a sua resignação dissipavam a parca espontaneidade e a aridez dos sorrisos mais profundos. Quanto a ele cativara-se de Ana por aquilo que ela era, e o eco do seu corpo e o rio do seu olhar aprisionaram-no para sempre.

Invocando a consciência de si, Ana reconhecia que nele encontrara a admiração por si e o conforto da maturidade. Não se apresse a vida porque não se extingue o tempo. A escola da existência ensina-nos que todo o ser humano adora ser apreciado e que as críticas recorrentes desgastam e consomem a essência do amor.

A harmonia inebriava a relação e nem a pouca apetência do seu par pelas actividades culturais, tão prezadas para Ana, induzia antagonismos ou adversidade. Ela aprendeu a cultivar as semelhanças e a admitir as diferenças, e a juventude e o apego à vida dos seus filhos eliminaram daquela existência o vocábulo da vacuidade. Percebera porque a tenra idade nos traz o amor como um capricho do destino. Nos dois seres que habitam a equação do amor ela já não era deterministicamente a incógnita.

Cumpriram-se mais alguns ciclos da roda do universo e a Primavera terna e carinhosa que aproximara Ana do amor amadurecera na história da sua existência. O rio onde entrara fluía intenso e cadenciado, e mesmo os escolhos que nele transitavam não lhe privavam o leito de tranquilidade. De Joaquim, os meros sinais de aparência, decorrentes das visitas periódicas aos filhos ou de aniversários de cariz ainda familiar; cumulativamente, os rumores locais dum aburguesar contínuo, enfeudado na rotina entre os correios, as sedes dos clubes e a boutique de Sofia.

Renovou-se sete vezes o hino à vida quando a serenidade daquela existência foi abalada pela alteridade do mundo. Vítima súbita de patologia cardio-vascular Joaquim agonizava num leito hospitalar, onde esgotaria os seus últimos momentos nesta terra.

A sombra da perda desceu sobre Ana, e olhando o espelho do quarto onde Carlos lhe conseguira amordaçar a solidão, chorou lágrimas profundas de mágoa e de saudade.

Que fracção de si, lhe subtraíra o amor ?

Flávio Meireles

RECORDAR ALGUMAS ESTÓRIAS DA GAVETA

Vive e deixa viver.
Quando o questionavam sobre seu o modo de vida, Manel Neto, respondia imperativamente: "quem vai vai, quem está está". Sentado à porta da taverna, mesmo no centro da Vila, por onde passávam conhecidos e desconhecidos, Manuel Neto trazia consigo um curriculum invejável: contava-se que nas inúmeras incursões ao balcão da tasca, era capaz de beber um garrafão de vinho, acompanhado de uma e apenas uma azeitona. Se é verdade ou não, nem sabemos (nem interessa para o caso)... mas à porta da tasca, lugar sacralizado pela sua presença diária, o taberneiro colocou uma cadeira onde o religioso se sentava e de onde poderia ver o mundo, claro está o seu mundo, mergulhado no licor que lhe dava cor à vida. De lá, perante o mundo suspirava aforismos sábios sobre o que lhe parecia ser a vida. A mais profunda e sábia foi aquela, cuja mensagem afastava todos aqueles que lhe queriam impor uma forma de vida, com a qual não se identificava: "amigo não empata amigo; inimigo muito menos"; mensagem essa,muitas vezes expressa no aforismo: "quem vai vai, quem está está".
E para quem parecia nada saber de ética ou de respeito pela vida dos outros, o Manel, analfabeto de formação, dava lições de alta cultura: quem passa deve seguir o seu caminho e deixar estar quem está, na sua vida, como acha que deve estar.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

"Nova Águia" em Alhos Vedros

Na próxima sexta-feira, dia 4 de Julho, pelas 21 horas, teremos no Moinho de Maré do Cais Velho, em Alhos Vedros, o lançamento da Revista Nova Águia. A organização do evento está a cargo da Escola Aberta Agostinho da Silva (CACAV) e de alguns elementos do MIL (Movimento Internacional Lusófono) local. Estão confirmadas as presenças do Prof. Paulo Borges e de Renato Epifânio, ambos membros da direcção da Revista.

Estamos todos convidados.

sábado, 21 de junho de 2008

uma estória lusófona



O Sebastião tinha um qualquer problema com os copos de tinto, de tal foma que não os podia ver cheios. E vai daí, daqueles copos grandes de água, jogava-os à boca e nem tocava nas campainhas. Bebia muitos por dia. Até porque trazia consigo o dia todo. O vinho talvez funcionasse para si como o amigo que nunca chegara a ter. Ou a companheira que nunca se lhe conheceu. Ou o filho que um dia sonhou ver nascido. Nunca se lhe ouviu dizer mais que duas palavras seguidas e a intervalos muito grandes. É um homem do silêncio: sim, sim; não , não. Tudo o resto são obras do diabo. Taberna e terceiras de tinto, eis a terna razão da sua Vida. De forma surpreendente, subitamente, deixou o vinho. Agora só sumo de laranja. O médico disse-lhe que tinha de deixar de beber e ele cumpriu sem hesitação. Diminuída a ansiedade do vício, é impressionante a calma com que sentado no muro defronte da porta da igreja aguarda a sua moedinha. Até parece que o tempo parou e que, de coração amansado, guarda em si boa parte da tranquilidade que há no mundo, esse bem tão precioso e tão escasso.

luis carlos

quarta-feira, 11 de junho de 2008

OUTSCHOOL tem como principal propósito reunir pessoas de diferentes áreas com o intuito de trocar saberes e usar a “aprendizagem pela experiência”. Propomos várias actividades em contacto com a Natureza, com o objectivo de DESCOMPRIMIR com muita diversão à mistura, claro!!!
O Encontro inclui:
 Jantar de Sábado
 Estadia no Parque (pessoa + espaço da tenda)
 Pequeno-almoço de Domingo
 Almoço de Domingo
 Actividades Outdoor:
Challenge Galé
Codex 12
Via láctea
Assalto ao Castelo
Quizz
Jogos de Praia
 Seguro de acidentes pessoais

Preço da actividade: 43 euros (por pessoa)

Solicitamos para o efeito o preenchimento da seguinte ficha, que deve ser remetida por e-mail para: outschool2008@gmail.com até ao dia 18 de Junho de 2008.

Ficha de inscrição
Nome: Data Nascimento:

Profissão: B.I.*:

Morada:
Cód. Postal / Localidade:

Telemóvel: E-mail:

*para efeitos de seguro A actividade só se realizará com o mínimo de 20 participant

sábado, 31 de maio de 2008

Destruiram a Estação de Alhos Vedros

video

A Estação dos Comboios de Alhos Vedros mais o Armazém e as Casas de Habitação que lhe eram contíguas foram ontem destruídas. A REFER EP (Rede Ferroviária de Portugal - Empresa Pública) e a Câmara Municipal da Moita acusam-se entre si para ver quem fica com a maior parte da responsabilidade neste processo. A população de Alhos Vedros viu, mais uma vez, ser-lhe subtraída uma parte significativa da sua rica História e do seu Património.

Luis Santos

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Nova Águia: Lançamento em Lisboa


31 de Maio - 17h00: Palácio Pombal (Rua do Alecrim, 70)
Apresentação de Pinharanda Gomes e Miguel Real

Na ocasião, será igualmente apresentada, por Jorge Telles de Menezes, a obra "A cada instante estamos a tempo de nunca haver nascido", de Paulo Borges (colecção NOVA ÁGUIA)

Lista completa de lançamentos: www.novaaguia.blogspot.com
FAÇA PARTE DESTE PROJECTO. ASSINE A NOVA ÁGUIA: http://www.zefiro.pt/novaaguia
Para mais informações: 967044286

domingo, 25 de maio de 2008


"Eu também gosto muito do Pessoa e da Ana Moura. De tal forma que até acho que a Confraria da Liberdade devia pressionar o pelouro da Cultura da Câmara a trazê-la ao Fórum José Manuel Figueiredo. É que nem me parece ser muito difícil...

E se a própria Confraria da Liberdade organizasse um espectáculo com a Ana Moura?"
(...)
lcs

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Fernando Pessoa decidiu-me!



Continua a ser uma questão polémica, mas a uniformização gráfica da língua portuguesa, tudo o indica, será uma realidade dentro de seis anos.
Pela minha parte, não conseguia decidir o que seria melhor: ouvia um professor, concordava com ele, ouvia um doutor, idem, idem, aspas...
Sabia lá se era melhor escrever com 23 ou 26 letras (23+k,w.y)? Se era mais quente um Agosto do que um agosto ? Seria mais correcto escrever correto? Mais sábio um académico do que um acadêmico? O meu fim-de-semana, porventura, perderia valor se não passasse de um simples fim de semana?
Até que li as palavras de Fernando Pessoa (esse mesmo!), quando do acordo ortográfico de 1911, entre a Academia das Ciências de Lisboa e a Academia de Letras do Brasil.
“Sendo a palavra escrita um produto da cultura, um indivíduo tem o direito de adoptar o que quiser...
É da essência da cultura, que consiste precisamente em estabelecer a confusão intelectual, em obrigar a pensar por meio do conflito de doutrinas.”
Fiat lux!
Vai ser conforme me apetecer, que é o que eu faço com a minha pintura!

terça-feira, 20 de maio de 2008

Querem destruir a Estação!

foto Campino

Amigos
Acabámos de saber que amanhã dia 21 de Maio será o último dia de existência da velha estação de combóios de Alhos Vedros.
Mesmo sabendo que não se trata de um edifício com grande importância arquitectónica, mas tem um grande simbolismo, para várias gerações, que daqui partiram e chegaram todos os dias.
O edifício ainda está em muito bom estado de conservação, e talvez pudesse ser ali dinamizado um espaço cultural, onde por exemplo a CACAV poderia dar um bom contributo. Talvez uma galeria de artes ... ou uma outra ideia qualquer.
Mas não! Quem decidiu apenas pensou em arrasar o edifício, talvez esse alguém que nunca veio a Alhos Vedros.

É com grande indignação que partilhamos esta notícia connvosco.

A Direcção da CACAV

(mensagem publicada por Luis Carlos)

quarta-feira, 7 de maio de 2008

sábado, 3 de maio de 2008

"Nova Águia" - Vídeo RTP da Conferência de Imprensa

NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI
http://www.novaaguia.blogspot.com

RTP Informação - Vídeo do seu interesse:
http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?article=343413&headline=98&visual=25&tema=32

Já foi apresentada a "Nova Águia", uma revista de cultura do século XXI que vai estar à venda a partir de dia 19. O lançamento desta Revista, em Alhos Vedros, será feito no dia 4 de Julho.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Alhos Vedros: Uma Vila com História

Alhos Vedros na Expansão Portuguesa

(...)
A conquista de Ceuta, projecto que fazia parte das intenções do monarca (D. João I) desde pelo menos 1410(...).

A morte da Rainha Dona Filipa de Lencastre em Odivelas a 18 de Julho de 1415, em consequência de um surto de peste que assolou Portugal durante os anos de 1414-1416, com particular incidência na cidade de Lisboa, veio ensombrar a iniciativa. D. João I, seu marido, retirou-se para Alhos Vedros. O monarca tentava, desta forma, afastar-se do pesado ambiente familiar, próprio das circunstâncias, (e provavelmente dos contágios, mais frequentes na capital) para recuperar de tão funesto acontecimento. Estava acompanhado pelo conde de Barcelos, seu filho ilegítimo, e por Gomes Martins de Lemos.

Os infantes encontravam-se no restelo. Preocupados, decidem contactar seu pai, embarcando em batéis pouco depois da meia noite, chegando pela madrugada a Alhos Vedros, onde o encontraram "muy anoiado e vestido de panos timtos". A questão era saber a opinião do monarca acerca da iniciativa que iria marcar historicamente a expansão europeia: a conquista de Ceuta. D. João, muito debilitado, encarregou D. Duarte e seus irmãos, de reunir com os restantes elementos do Conselho, pelo que estes regressaram de imediato ao Restelo.

A reunião parece ter sido bastante conflituosa. As opiniões sobre a decisão a tomar estavam divididas ao meio. Dos catorze elementos que a compunham, sete manifestaram-se a favor da partida, enquanto que os restantes sete decidiram-se pela negativa.

Perante tal impasse, os infantes voltaram de novo a Alhos Vedros no Domingo, 21 de Julho, para informar o rei dos resultados da reunião do Conselho, e este foi, no meu entendimento, o momento crucial do evento: o parecer favorável do rei, assim como do Conde de Barcelos e de Gomes Martins de Lemos que o acompanhavam, foi decisiva para o início de um dos fenómenos mais marcantes da História da humanidade. A frota deveria levantar ferro na Quinta-Feira seguinte, 25 de Julho, rumo a Ceuta.(...)

(in, António Ventura (2008), Alhos Vedros na Expansão Portuguesa. Alhos Vedros: Ed. Alius Vetus, Assoc. Cultural História e Património, Revista Foral 2014, nº2, p.19)

quarta-feira, 30 de abril de 2008

A Festa do Espírito Santo

Tradição que vem de longe e chegou a diversas latitudes :A Festa do Espírito Santo

“Assim como os três reis magos
Que seguiram a estrela-guia
A Bandeira segue em frente
Atrás de melhores dias, ai, ai...”
(“Bandeira do Divino”, Ivan Lins)

Em 1283, a rainha Santa Isabel fundou, em Alenquer (Portugal continental), uma albergaria e deu inicio à construção de uma igreja com a invocação do Espírito Santo. Alguns historiador defendem que foi em Alenquer, que tiveram início as Festas do Espírito Santo- As Festas Imperiais em louvor do “Divino Espírito Santo”, se expandiram por todo o reino, atingindo o apogeu nos séculos XIV a XVI, e em todas as povoações da rainha santa, como Alenquer, Leiria, Porto de Mós, Óbidos, Torres Novas e Sintra, Batalha realizavam-se e realizam-se com esplendor. E estas festas também chegaram ao Brasil, África, Índia, Canadá e Estados Unidos.

No entanto,atualmente, as Festas do Espírito Santo são mais relevantes nos Açores ,caractererizando a vida dos ilhéus, porque ajudam a desenvolver o sentido de comunidade, próprio da cultura das ilhas. Os emigrantes e seus familiares, na América do Norte e em Portugal, costumam regressar ás ilhas para a celebrarem a data.

É que segundo o filósofo luso-brasileiro, Agostinho da Silva, o povo açoriano é portador de uma mensagem de paz e de fraternidade que levou, e continua levando, para o mundo inteiro, numa missão de anúncio da nova era para a humanidade. Essa missão e esse anúncio constituem uma parte fundamental das Festas do Divino Espírito Santo, e no desempenho dessa viagem de mistério as Festas chegaram à Ilha de Santa Catarina e em mais de dois séculos se estenderam por todo o litoral do Sul do Brasil.

Mas a crença no Espírito Santo, no Brasil, é reconhecida como um dos principais focos das formas de religiosidade popular do Centro-Oeste, contrariamente ao que acontece no Nordeste e Sudeste do país, onde outros santos padroeiros, como os juninos, ocupam o lugar que no Brasil Central se destina ao Divino. Diz-se ainda que a festa está intimamente ligada ao período da mineração de ouro e se conservou especialmente nas velhas cidades goianas do século XVIII, sendo rara e pouco solene nas cidades que foram fundadas depois do ciclo do ouro.

A festa do Divino Espírito Santo é típica em muitas regiões brasileiras, como no Maranhão, onde os festejos fazem parte da cultura popular, destacando-se como um dos mais importantes, por sua ampla difusão e pelo impacto que tem sobre a população. Hoje, existem dezenas de festas do Divino espalhadas por todo o Estado, levando adiante uma tradição viva e dinâmica, em que se destaca a beleza do repertório musical.

Termino com a notícia do C O N V E N T O S O N H O/ A S S O C I A Ç Ã O A G O S T I N H O D A S I L V A, que realiza no dia 11 de maio próximo, a XVIII Festa do Espírito Santo, no Convento da Arrábida (Portugal), cerimônia que decorre dentro do espírito do ecumenismo integral, diálogo e comunhão A programação inclui a leitura de textos de: Agostinho da Silva, sobre o Culto do Espírito Santo; Dalila Pereira da Costa; Padre António Vieira. E no momento da coroação das crianças, evocação e música :cânticos com trovas para o Menino Imperador, de António Quadros; o Divino Espírito Santo com quadras de Agostinho da Silva. A quem se interessar por mais informações, o listeiro do diálogos_lusófonos, Luís Santos, certamente pode dizer algo mais.

Um abraço, Margarida

Pesquisámos a Festa do Espírito Santo nos seguintes endereços
http://pt.wikipedia.org/wiki/Festas_do_Esp%C3%ADrito_Santo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Festa_do_Esp%C3%ADrito_Santo_no_Maranh%C3%A3o
http://www.aguaforte.com/antropologia/festaabrasileira/AFestadoDivino.html
http://www.jornalalenquer.com/noticia.asp?idEdicao=51&id=2761&idSeccao=634&Action=noticia
http://www.agecom.ufsc.br/index.php?secao=arq&id=3871

sábado, 26 de abril de 2008

FESTA DA MULTICULTURALIDADE


Laços e traços da lusofonia, momentos de interculturalidade.
Festa da Multiculturalidade em Santo António, Barreiro, dia 7, 8 e 9 de Maio 2008.

(Clicar na Imagem)

quarta-feira, 23 de abril de 2008

O povo por aqui está com o MFI



É preciso muito cuidado com o que se diz na frente das crianças. Será?
E será que alguma vez na vida deixamos de ser crianças? Então não dizem que devemos conservar em nós a criança que um dia fomos?

Luis Carlos.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Um Choro que Lava





UM CHORO QUE LAVA

Acabaram-se as antigas artes e ofícios da minha “terra velha” (1) de séculos. Com o seu fim, alteraram-se os ritmos, metamorfoseou-se a secular vila numa outra coisa, mais pele – apenas aflorando o sangue – menos alma. A maior parte das pessoas já se nem conhecem.

Ainda me lembro do pessoal do mar (aqui apenas rio), fragateiros, pessoal da faina. Os salineiros e corticeiros, um cais feito porto e o movimento ininterrupto das galeras carreando cortiça para as fragatas, botes e varinos que do rio faziam estrada para a Europa via Lisboa. Lembro-me do frenesim azulado das batas das operárias têxteis que, sob o signo das buzinas, ora acalmavam ora fervilhavam pelas ruas, numa azáfama de não sei quê mas para que haveria razões.

Lembro-me de um pulsar e de uma eterna combustão.

Fecharam as fábricas.

Da velha faina do rio ficaram-me recordações e o gosto pelos caminhos que a ele levam. Os caminhos que levam à minha praia de gaiato – gaiato que não menino pois que meninos eram os outros – estão sujos e violados, transformados em lixeiras.
Muralhas destruídas, lodos infectados por alguidares de plástico e jerricans naftados, caminhos interrompidos por carradas de entulho, máquinas de lavar, frigoríficos e outras preciosidades afins.

Regresso assim àquele lugar cá dentro, bem cá dentro (ou será fora?), em que tudo é escuro e onde se não regista qualquer actividade mental numa ausência total de pensamento ou raciocínio.

Aquieta-se então a alma - e tudo - nessa ausência de si, ecrã vazio da consciência.
Não há emanações, não há sentir(es).
Que se pode amar aí?
Nada.
Um (O) nada que é uniforme de (in)vontade.
Uma espécie de vácuo ou vazio onde, contudo, algo se liberta da escória que carrega. Será o mim ?
Será quem ou o quê ?

E, contudo, não há esquecimento quando se regressa ao estado do ser. Retorna-se no grito das aves do mar – o que de puro sobressai da imundície -, a mão que se oferece para o regresso.
Lentamente, num ápice, se recupera o esqueleto do que mais consistentemente se é, alicerce de músculos e razão. Torna, assim, a pulsar o que impele o ser. Pulsa, o coração, pulsa.

E o que ficou na travessia, retido no purgatório do existir, impele no sentido de venturas visionadas no clarão que alumia o peregrinar, e continua a demanda de outros cheiros, outros olhares, outras maneiras de estar.

Ainda os flamingos se não foram e já chegaram as andorinhas.


(1)– Alusão a um poema do amigo Luis Carlos com este título.

. Do livro “Peregrinando” de M. J. Croca (no prelo), a publicar brevemente



segunda-feira, 14 de abril de 2008

O AMOR E A AMIZADE



Fiz a um amigo a seguinte pergunta:

Não conheço Deus, mas amo-o.
Conheço o meu amigo, e amo-o.
Qual é a maior prova de amor?

No fundo, saber se é mais fácil amar e lutar por um ideal, ou amar e lutar por quem ou aquilo que conhecemos, com suas qualidades e defeitos.

Têm respostas? Espero que o Zeca ajude...

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Alhos Vedros: Uma Vila com História


de El Rei D. João I a Afonso de Albuquerque, Governador da Índia

“É conhecida e muitas vezes citada a estadia de D. João I em Alhos Vedros, em 1415, pouco tempo antes da expedição a Ceuta. Segundo a “Crónica da Tomada de Ceuta” (de Gomes Eanes de Zurara), o rei de Boa Memória estava em Alhos Vedros, refugiado da peste que vitimaria sua mulher D. Filipa de Lencastre. Com ele estava o seu filho D. Afonso, conde de Barcelos.
(…)
Sabe-se que, por esse tempo, o senhor de Alhos Vedros era Gonçalo Lourenço de Gomide, que veio a falecer em 1422 e foi sepultado no Convento da Graça, em Lisboa, onde ainda se conserva o seu túmulo. De facto, o Convento da Graça tinha muitos bens em Alhos Vedros, os quais integravam a chamada Quinta da Graça.
(…)
Esse fidalgo (Gonçalo Lourenço) legou o senhorio de Alhos Vedros ao seu filho João Gonçalves de Gomide, o qual viria a ter um destino trágico. Tinha casado com D. Leonor de Albuquerque, mas cerca de 1437, num acto de loucura, matou a mulher e acabou por ser condenado à morte por degolação.
Os bens de João Gonçalves passaram para a coroa e os filhos não quiseram usar mais o nome do pai e obtiveram autorização régia para usar o apelido Albuquerque.
(…)
Um dos filhos de João Gonçalves, de nome Gonçalo de Albuquerque (que ficou com os direitos de Alhos Vedros) foi conselheiro de (rei) D. Afonso V e senhor de Vila Verde, tal como seu pai e avô, veio a casar com D. Leonor de Meneses. Deste casamento houve três filhos varões: Fernão, Luís e Afonso de Albuquerque (1462?-1515), o conhecido governador da Índia, e uma filha: Isabel de Albuquerque.
(…)
Como administrador dos bens, Afonso de Albuquerque deixou o seu filho natural Brás de Albuquerque que legitimou. Mas num 2º testamento, feito em 1515, passou para primeiro lugar na administração do vínculo D. Isabel de Albuquerque, sua irmã.
Afonso de Albuquerque faleceu nesse ano de 1515 e foi sepultado na capela do Convento da Graça, mas anos mais tarde o seu filho Brás levou as ossadas do pai para a Quinta da Bacalhoa, em Azeitão.
Os Albuquerques continuaram na posse de significativos bens em Alhos Vedros(…)."

VARGAS, José Manuel (2007) Aspectos da História de Alhos Vedros (Séculos XIV a XVI). Edição Junta de Freguesia de Alhos Vedros.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

MFI - a eternidade em debate

"...ainda e sempre a Eternidade. Até acabo por achar que lhe somos muito deficitários e que, sem dúvida, a devíamos eleger como a razão primeira da nossa busca de conhecimento por cá, coisa que a política moderna e a ciência não têm conseguido discernir."

a frase é do Luis Santos
(em resposta, a um comentário do António Tapadinhas no "Passar o Azul")

- Será que vos merece a ideia de eternidade algum comentário?

Estórias de Alhos Vedros


O céu de Alhos Vedros numa manhã de Sábado. O "fumo branco" que risca o céu saído sabe-se lá donde. A tasca do peixe assado, bom e barato, dizem. A casa amarela. O palacete azul do Julião Alvarez. A tasca que um dia pegou fogo e jaz em ruína. Os fios eléctricos, o candeeiro e a antena da TV. Umas nuvenzitas que mancham o céu de um suave branco. E por cima do cabo eléctrico um azul infinito que se adivinha.

Prospecto MIL


quinta-feira, 27 de março de 2008

MIL - Logotipo

Dos seis logotipos apresentados foram escolhidos os dois de cima para representação oficial do MIL, o da esquerda para a secção portuguesa, o da direita para propôr aos núcleos não nacionais.
Na postagem seguinte temos o logotipo do MFI (Movimento das Forças Interrogativas).

E nós nesta Confraria da Liberdade? Não seria boa ideia, além destes dois logotipos, criar um outro que nos representasse? Ou será que os logos criados para o MFI e MIL já são quanto baste?

É que com tão belos desenhadores por aqui...

quarta-feira, 26 de março de 2008

Petição pelo Tibete

Olá, acabei de assinar uma petição urgente pedindo para o governo chinês ter cautela e respeito pelos direitos humanos no Tibet, e para eles abrirem o diálogo com o Dalai Lama. Basta clicar no link para assinar a petição:

http://www.avaaz.org/po/tibet_end_the_violence/98.php/?cl_tf_sign=1

Depois de quase 50 anos de domínio chinês, os tibetanos estão demandando mudanças. Enquanto a violência se espalha no Tibet e na região, o governo chinês decide entre, aumentar a repressão ou se abrir para o diálogo. O Presidente Hu Jintao precisa ouvir que as Olimpíadas e os produtos "Made in China" terão o apoio do mundo, se ele escolher o diálogo. Precisamos de uma avalanche de apelos do mundo todo para chamar a atenção do governo chinês. Em menos de uma semana conseguimos metade da nossa meta de 1 MILHÃO de assinaturas!

Obrigado pela ajuda!

Você está recebendo essa mensagem por que alguém usou a ferramenta "avise seus amigos" no site da Avaaz.org. A Avaaz não guarda informações sobre os indivíduos contatados através dessa ferramenta. Nós não te enviaremos novas mensagens sem seu consentimento mas lembre-se que seus amigos podem fazer isso novamente.